crescimento sustentável
Opinião

As Autarquias, a Responsabilidade Social e o Crescimento Industrial

Pela Carta Europeia de Autonomia Local, aprovada em 1985 pelo Conselho da Europa, que considerou no seu Preâmbulo que “as autarquias locais são um dos principais fundamentos de todo o regime democrático”. Segundo a lei fundamental, a organização democrática do Estado compreende a existência de autarquias locais, sendo estas pessoas coletivas de população e território dotadas de órgãos representativos que visam a prossecução dos interesses próprios, comuns e específicos das respetivas populações.

Atualmente, constituem uma das maiores realizações da democracia associadas à necessidade de desenvolvimento social, cultural, económico, industrial e patrimonial.

A aplicabilidade de procedimentos assentes em modelos de gestão da qualidade nas Autarquias Locais poderá dar um contributo para as questões em que as organizações e autarquias são menos sensíveis, tidas por estas, em matéria de Responsabilidade Social.

É fundamental um conceito, segundo o qual, as empresas decidem numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo. Esta responsabilidade manifesta-se em relação aos trabalhadores e, mais genericamente, em relação a todas as partes interessadas. Em tempos, um estudo do “Corporate Social Responsibility – CSR” revelava que “58% dos Europeus considerava que a empresa deveria prestar maior atenção à sua Responsabilidade Social e 66% crê que a Responsabilidade Social é tarefa das grandes empresas e não apenas um exclusivo da Administração pública Local”.

A vertente da Responsabilidade Social, com especial enfoque na Qualidade Social no âmbito das Autarquias Locais (Freguesias e Municípios), só é possível com a implementação de politicas credíveis e procedimentos adequados para compreender o tecido empresarial de uma, e para uma, determinada envolvente, estabelecendo não só “a ponte” compreendendo as necessidades dos indivíduos, sensibilizar e dar resposta às suas expectativas com recursos próprios e de uma forma sustentada, bem como, “exigir” aos empregadores condições adequadas porque forma a não assistirmos à “exploração” pela mão-de-obra qualificada a baixo custo, ajudando na deslocalização de outros países para o nosso, contribuindo para um tecido industrial local maior mas com trabalhadores mais empobrecidos. Usar-se-ia aqui a expressão popular “Coitado de quem precisa”!

Muitas vezes, inconscientemente, para as entidades envolvidas, sem olhar a meios para atingir os fins propiciam a ambição, desmesurada, no crescimento empresarial assente num plano de desenvolvimento politico industrial errado fazendo despoletar paradigmas e levantar questões para as quais importa refletir no sentido de perceber se nos agrada o crescimento mesmo ouvindo alguns empresários dizer, com a conivência de outras entidades, que estamos em Vila Verde porque entre outros atributos o preço de mão-de-obra por hora é baixo!

Cumprirão assim as entidades envolvidas no processo, a responsabilidade social?
Será responsavelmente social saber que o crescimento industrial poderá originar o decréscimo da qualidade de vida e “pseudo-escravidão”?

Não será urgente repensar numa estratégia municipal de desenvolvimento industrial sustentável, com base numa política de incentivos e proteção aos VilaVerdenses, contribuindo para a uma melhor qualidade de vida?

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Paulo Gomes

Presidente da Junta de Freguesia da Vila de Prado

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