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Opinião

EXPATRIADOS ou EXPULSOS?

A problemática do jovem vilaverdense, começa com o confronto com a dura realidade de quem termina a formação académica e começa a procurar emprego.

Face à inexistência de empregos em Vila Verde, que segue a tendência do Minho e de Portugal, surge a lógica pergunta de retórica: “Epá… Com quem vou falar, para conseguir trabalho lá fora?”
Num concelho que se encontra, cada vez mais, “rasgado” pelas disparidades económicas e sociais, entre as freguesias do norte, cada vez mais abandonadas, e as do sul que, em termos comparativos, sobrevivem cada vez mais em condições abonatórias, assistimos todos os dias ao expatriamento dos nossos jovens, que são, a meu ver, a nossa maior fonte de riqueza. Corrijo: “expulsão” será o termo correcto. Corrijo outra vez: expulsão. Agora foi mesmo sem as aspas. Mas aproveito e também mudo a pessoa: expulsaram-nos!

Chamo-me João Alves, tenho 27 anos e adoro Vila Verde. Sou mais um expatriado, de tantos milhares de portugueses que se encontram em situação semelhante. Trabalho em Moçambique. Na realidade, sinto-me expulso do país que me viu nascer e que me viu formar em Ciências da Comunicação (sim, sou mais um desses tantos), por valores penosos na carteira do meu agregado familiar. Essa expulsão foi a única alternativa para poder “fazer e organizar vida”, juntando-me, assim, às centenas de vilaverdenses, jovens e não só, que emigraram à procura de um futuro. Expulsaram-nos, pois!

Se para sobrevivermos às nossas próprias custas, tivemos de emigrar, “raptados” daqueles que mais amamos e da tão bela terra que nos viu nascer, só nos podemos sentir expulsos. Expulsos pela nossa pátria. Expulsos pela nossa terra. Expulsos por não aceitarmos fazer parte dessa confraria de “arranjinhos” e oportunidades muito “oportunas”, dependentes do ID ideológico, que, para inglês (ou alemão) ver, vai alimentando esperanças que não se realizam, sonhos que não existem, enfim… verdades que não passam de mentiras. Estórias que muitos teimam em esconder sob pena de mostrar o Vila Verde pela negativa.
Não somos emigrantes. Somos Portugueses, com “P” grande e fomos Expulsos, com “E” gigante.

A problemática do jovem vilaverdense, que eu partilho, é muitas vezes a reflexão retórica que nos enche de nostalgia: “Porque me expulsaram, se eu tenho tanto para dar a Vila Verde?”

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João Alves

Aventureiro.
Natural de Vila Verde. Residente em Moçambique.

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