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Opinião de Nídio Silva: “A um passo do abismo”

Enquanto na nossa Europa Comunitária uns quantos se esfalfam com as migalhas das contas públicas, esbulhadas até ao tutano aos que quase nada têm, a América, na senda exponenciada de um ou outro caso julgado até há pouco tempo epifenómeno de circunstância, acaba de eleger um fascista para liderar os seus destinos nos próximos cinco anos, com ondas sísmicas imprevisíveis e capazes de causarem gigantescos e devastadores tsunamis à escala global.

Como foi possível a grande nação yankee pôr na Casa Branca um racista implacável, um misógino deplorável, um capitalista selvagem e caloteiro, enfim, alguém psicologicamente destampado e capaz do pior? Alguém que tem a chave para mover desvairadamente a maior potencia nuclear do mundo e que começa a rodear-se de gente do pior? Que teve como primeiro gesto virado para o exterior falar com a senhora Le Pen e com o UKIP e recebe os primeiros abraços do senhor Putin?

Muito ao contrario do que possa parecer, começa a ser clara a explicação para tudo isto. Os políticos do mundo dito civilizado esqueceram-se do povo a quem passaram o tempo a prometer um mundo novo. Instalados no seu império, sobranceiros para com os que perderam o trabalho e a casa, e, num ápice, viram as suas vidas perdidas, esqueceram-se que um dia essa mole incontável de excluídos podia, de facto e como um dia Aleixo alvitrou, querer um mundo novo a sério.

Eis os condimentos todos reunidos para que, pela arte de bem surfar a onda instalada, possamos estar muito próximos de novas “trumpadas”, algumas bem perto de nós (França e Alemanha estão à bica) e altamente contagiosas.

O centrão europeu poderá estar a caminho do banco dos réus deixando atrás de si um lastro de recuos civilizacionais que a “nova ordem” ditará para desgraça de todos nós. Uma desgraça nunca vem só, diz o avisado adágio popular.

Por cá, está em curso um arrepiar do caminho suicida seguido pelos filhos da troika, embora ténue, ainda, por força do espartilho europeu que teima em trilhar a saga de autodestruição em que tem vivido na última meia dúzia de anos.

Não sei se vamos a tempo. Sei que, subitamente, há um fim dos tempos à espreita. Sei que, como tantos outros de todos os quadrantes, do meu lugar de politico paroquial que nunca se sentou à(s) mesa(s) do poder(es), também me reconhecerei no direito de cobrar muito caro àqueles que traíram o meu apoio, a minha dedicação e o mandato que lhes dei para guardarem a minha vida, a dos meus e a de todos nós.

PS.: na hora em que escrevo estas linhas, há já uma decisão quanto à (não) continuidade do Comandante Lomba à frente do Corpo de Bombeiros Voluntários de Vila Verde, cujo resultado não conheço. Subscrevi um manifesto de apoio à justíssima renovação da sua comissão de serviço. A direção da Associação não recebeu nenhum mandato expresso para decidir pela não continuidade do Comandante Lomba. E ao contrário do que poderão pensar alguns mangas de alpaca, decidir sobre a continuidade na função ou da não renovação da comissão de serviço de um comandante de bombeiros não é um mero ato de gestão.

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