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Mara Alves Opinião

Opinião de Mara Alves: “TSU-nami”

Estando em curso a chicana sobre a CGD o governo lança uma nova: a TSU e o salário mínimo.

Instalou-se uma nova polémica, e vários ambientes políticos. Os políticos de direita, os gestores e economistas proclamam aos quatro ventos que o desenvolvimento não deve ser feito à custa de salários baixos, ou seja esmagam as renumerações, e desde a crise financeira é tão óbvio que já não precisamos de números. O pretexto é sempre o mesmo: competitividade e as periódicas restruturações. Acho que podemos esperar sentados pelo dia em que a restruturação se encarregue da criação de novos empregos e assim, conduza a um aumento de salários.

Quando o movimento sindical consegue pressionar o governo para a introdução de alterações nas renumerações, os empresários com o espírito empreendedor que os caracteriza exigem “compensações”, até aqui nada de novo. A novidade surge quando o governo minoritário do PS, no seu engenhoso exercício de equilibrismo político, jogou uma cartada arriscada com a indexação da redução da TSU ao aumento do salário mínimo nacional em sede de concertação social. Porque os acordos firmados com os partidos à sua esquerda, em matéria de redução das contribuições dos patrões para a Segurança Social, não são opção.

No que estaria António Costa a pensar? Ora, quer-me parecer, que Costa contou com “o ovo no cu da galinha”, ou, por outras palavras, que o entendimento alcançado com os patrões exercesse pressão sobre o PSD, forçando-o a subscrever a medida.

Acredito que António Costa tenha aprendido a lição: se quer governar, numa posição minoritária, que depende de acordos de incidência parlamentar, com partidos sem grande alinhamento ideológico, é bom que respeite esses acordos. Exigir soluções a partidos que hostilizou e a quem virou as costas, é coisa de amador. E o Sr. Costa está longe de ser um amador nestes jogos. Sabia com o que contava e, mesmo assim, achou que tinha a faca e o queijo na mão, ou então não, se calhar a estratégia dele era mesmo conseguir este acordo e depois expor ao país que o PSD é que está do contra, ou seja estaria a pensar mais na luta politica do que no próprio impacto da medida.

Podemos discutir a natureza da espinha dorsal do PSD, podemos acusá-lo de incoerência ou tacticismo político, mas não lhe podemos negar a total legitimidade de recusar acordos com o governo.

Uma coisa é certa os cães ladram enquanto a caravana passa…
Outros, como sempre, uivam e deixam a caravana passar!

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