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Álvaro Rocha Opinião

Opinião de Álvaro Rocha: As Marias da Fonte de Vila Verde

A edição nº 33 da Revista Mãos, de junho de 2009, publicou um artigo de Ana Pires, sua Diretora, com o título “Da Maria da Fonte àquelas Mulheres do Minho…”, que digitalizei e coloquei disponível em https://goo.gl/vwhFLs. Da sua leitura constatei que, entre quatro mulheres minhotas consideradas Marias da Fonte dos tempos modernos, duas eram vilaverdenses: Maria do Carmo Reis, de Aboim da Nóbrega; e Conceição Pinheiro, de Vila Verde. As outras duas eram Adelaide Soares e Júlia Caldas, de Terras de Bouro e de Ponte de Lima respetivamente.

A Diretora da Revista Mãos considerava estas mulheres tão destemidas e heroínas como a Maria da Fonte de outrora. Dizia Ana Pires que não conseguia imaginar “estas senhoras de pistolas na mão, ou à cinta, a matar quaisquer Cabrais ou mesmo a correr com o Regedor… Todavia, se falta a estas senhoras o ímpeto guerreiro e subversivo da Maria da Fonte, sobra-lhes – e muito – a mesma convicção, a mesma força, a mesma capacidade mobilizadora, a mesma integridade e compromisso com as comunidades a que pertencem…

A verdade é que são estas as minhas Mulheres do Minho, as Marias da Fonte dos nossos dias que, de um modo perseverante e abnegado, foram as autoras de autênticas e difíceis subversões, sobretudo aquela de acreditar que está nas nossas mãos aproveitar o que pode ser aproveitado e, com determinação, construir um futuro melhor, para os outros”.

Apelidarem de Marias da Fonte as vilaverdenses Maria do Carmo Reis e Conceição Pinheiro, não foi, para mim, nenhuma surpresa, porque tinha e tenho o privilégio de conhecer com algum detalhe as suas extensas e extraordinárias obras em prol do concelho e da região, no entanto, o artigo de Ana Pires não deixava de ser um texto rico e oportuno, digno de ser do conhecimento de todos os vilaverdenses, porque estas duas mulheres merecem realmente serem perpetuadas na memória das gentes do nosso concelho.

Se Vila Verde é reconhecida atualmente como a Terra dos Lenços de Namorados deve-o, sobretudo, a estas duas mulheres, pioneiras na recuperação, dinamização e promoção desta riquíssima cultura e tradição, embora as obras de ambas não se esgotem neste ícone vilaverdense, como será do conhecimento dos mais atentos.

Talvez esteja na altura, pois, de a Câmara Municipal olhar atenta e respeitosamente para a obra destas duas altruístas e abnegadas mulheres de Vila Verde, prestando-lhe uma homenagem que as torne “imortais” para as gerações vindouras, à semelhança do que já fez a Adere-Minho, que atribuiu o nome da saudosa Profª Maria do Carmo Reis a uma das suas salas.

Para além de merecida, a homenagem seria também um contributo para a história económica-social do concelho, pois as gerações vindouras teriam assim a oportunidade de saber que a imagem e a economia de Vila Verde evoluíram positiva e substancialmente com o efeito das magníficas obras destas duas ilustres senhoras.

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