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Mara Alves Opinião

Opinião de Mara Alves: “Jornalismo vs Partidos”

Quem me conhece sabe que na política nunca fui de partidarismos demagogos, e que quando acredito naquilo que defendo não há militância que me prenda o pensamento. Acredito que a política partidária é uma construção diária, pois só dessa forma podemos criar programas e políticas públicas que serviam a população a médio e longo prazo. Só dessa forma podemos salvaguardar o futuro para todas as gerações. Mas só podermos dimensionar programas públicos para a nossa freguesia, concelho, cidade ou país se de facto formos cidadãos ativos.

Ao longo deste tempo de juventude partidária, tenho percebido que a população mais jovem não pensa assim, e o estado em que a descrença política se encontra no nosso país é o resultado do que acontece no meio político mas não só, o jornalismo pouco profissional também leva a que o cidadão comum tenha uma opinião influenciada pela forma como recebeu a informação dos meios de comunicação social, e como não é só na política que existe falta de ética, aquela velha máxima do jornalismo de a notícia continuar a ser o cerne da atividade do jornalismo pois quem lê um jornal, quem procura informação, procura notícias em primeiro lugar, e não entretenimento ou jornais tipo revistas de ensaio.

A atividade do jornalista continua a ser a de alguém que tem uma carteira profissional, que aprendeu um conjunto de regras e que é suposto dar à informação em bruto o contexto que a transforma em informação de qualidade e com objetividade, mas também isso começa a ser um mito. Passando assim a ser usado frequentemente títulos sensacionalistas e completamente enganadores relativamente ao que está no conteúdo da notícia, tudo em prol das vendas e das visualizações.

É certo que política partidária nos dias de hoje tem uma forte tendência para esquecer valores por exigir a existência de jogos e joguinhos, carreirismos sem currículo ou a criação de rebanhos. No entanto, olho com muito respeito para o trabalho desenvolvido dentro das Assembleias de Freguesia, Assembleias Municipais e a Assembleia da República.

Num universo de tanta gente acredito que parte dos envolvidos na tomada de decisão sabem perfeitamente o que estão a fazer. Pensam pela própria cabeça e muitas vezes saem frustrados de um debate no qual votam contra aquilo que acreditam por questões de “hard politcs”. Mas também no meio de todos aqueles que eu não reconheço qualquer mérito, ou melhor de todas aquelas que cumprem apenas e só a lei da paridade, encontro aqueles que são cidadãos comuns, que defendem as suas terras, aqueles que sabem o que representam e quem representam, aqueles sentem a responsabilidade que têm e que das suas decisões estará em causa uma série de gerações.

Ainda assim, apesar dos partidarismos imporem algumas restrições ao livre debate, existem normalmente questões que transpõem, ou pelo menos deveriam transpor as esferas partidárias, tais como a Eutanásia, ou a Revisão Constitucional, sendo esta última urgente, pois tendo nós uma Constituição com mais de trinta anos, não será agora um momento de os jovens interrogarem-se se realmente a nossa Constituição, é adequada à forma como povo português pensa e vive em sociedade? Não será a Constituição o esgotamento de algumas das soluções institucionais em vigor? Será que o modelo Semipresidencial serve para nós?

São estes alguns os temas fraturantes que os jovens têm que colocar na discussão pública, sem muros partidários, sem idades, mas com soluções responsáveis para o seu país.

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