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Álvaro Rocha Opinião

Opinião de Álvaro Rocha: “A Pousada de Vila Verde”

O mais importante e histórico aglomerado rural de Vila Verde está à venda e cada vez mais degradado. É o complexo da Casa da Pequenina, em Aboim da Nóbrega, que poderia originar uma distinta Pousada de Portugal.

As pousadas, como sabem, são estabelecimentos comerciais de hospedagem, situando-se, sobretudo, em edificações de valor histórico, representativas de uma determinada época, que possuem usualmente serviços com atendimento personalizado e cozinha regional refinada.

Temos relativamente próximo de Vila Verde uma das mais belas, valiosas e importantes Pousadas de Portugal. É a Pousada de Santa Maria do Bouro, situada no concelho vizinho de Amares, resultado do restauro de um Mosteiro Cisterciense do século XII, uma das peças mais relevantes da arquitectura portuguesa. Esta Pousada é um ícone de marketing concelhio, aquele que mais distingue o concelho de Amares a nível regional, nacional e internacional.

A Casa da Pequenina, em Aboim da Nóbrega, e todo o seu conjunto rural construído em pedra granítica, provavelmente, segundo referências de alguma população local, retirada das ruínas do Castelo da Nóbrega, que até ao século XV era mais importante do que o Castelo de Lindoso na defesa da fronteira com Espanha, é, efectivamente, um local que poderia muito facilmente originar uma distinta Pousada de Portugal no concelho de Vila Verde.

Este complexo rural, combinado com um campo de golfe, trilhos, equitação, caça, agricultura biológica, plantas e árvores autóctones, entre outros elementos, seria a “cereja em cima do bolo”, se a Câmara Municipal de Vila Verde quisesse efetivamente apostar na indústria do turismo, particularmente no turismo de campo e de montanha, assente na exploração de recursos naturais e do património histórico, cultural, tradicional e etnográfico do Norte do Concelho.

O texto de Eduardo Pires de Oliveira, inserto na página 7 do Diário do Minho de 3 de Setembro de 2007, e que passamos a transcrever, entronca integralmente nos argumentos e na proposta da Pousada para Vila Verde que advogamos: “… Com prazer vejo o exterior do pátio interior da Casa da Pequenina, em Casais de Vide, Aboim da Nóbrega, Vila Verde. Quem passa na estrada [Aboim da Nóbrega – Azias] e não conhece, fica profundamente admirado com aquele muro, muro que mais parece uma muralha. E mais ainda se sentirá ao ver de perto o exterior desta casa, construída com imensas pedras de enormes dimensões e perfeito talhe, o grande espigueiro a fazer passadiço, a capela, a enorme eira orgânica, etc.  Mas os seus olhos encher-se- ão de dor ao ver o estado de absoluto abandono em que se encontra, a cair aos bocados. Acredite: é a mais espectacular construção da arquitectura popular minhota. Mas de que lhe vale? Um dia que esteja por terra aparecerá quem a venha defender? Será que só sabemos respeitar os mortos? E deixar morrer os vivos?”

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