Andreia Santos
Andreia Santos Opinião

Opinião de Andreia Santos: “Melhor que isto”

A Comemoração oficial do Dia da Mulher já aconteceu. Há poucos dias tive, como provavelmente tiveram, oportunidade de assistir aos debates e manifestações públicas sobre a Igualdade de Género e se há quem se expresse no melhor sentido, é ainda, infelizmente rápido reconhecer, que não é fácil ainda hoje falar deste assunto ou de Feminismo. Ao ler este artigo alguns dos leitores dirão que venho tarde para falar sobre isto, alguns desses leitores serão leitoras, o que, confesso, me atrapalha.

Todos os dias são dias de lutar por direitos, neste caso pelos direitos das Mulheres. Por esta razão fundamental não há dia certo para a escolha de escrever sobre este tema. Mas isso não quer dizer que não deva existir um Dia da Mulher. Há quem se esconda atrás desta desculpa para não reconhecer a necessidade triste da existência do dia. Essa é uma declaração profunda de machismo, perdoem-me as pessoas que se pronunciaram assim homens e mulheres. (As redes sociais estão cheias de asneiras). Ainda custa muito falar sobre igualdade de género, de facto tanto para homens, como para mulheres. Mudar nunca foi fácil afinal.

No Dia da Mulher foram publicados vários estudos sobre a diferença no tratamento dos dois géneros: As Mulheres continuam a ser as principais vítimas de violência doméstica em quaisquer idades, a maioria destes crimes na velhice são praticados pelos seus filhos homens, as Mulheres continuam a sofrer de desigualdade salarial, no caso das Mulheres negras a diferença chega aos 172%, as Mulheres europeias ganham em média menos 16% que os homens e as brasileiras menos 28%, as Mulheres representam 55% da população mundial, mas apenas 40% estão no mercado de trabalho e só 10% contribui para a renda mundial, a pobreza também tem género. Portugal, em especial, foi o país europeu onde a desigualdade salarial aumentou mais nos últimos anos, tendo a disparidade duplicado em 2016. É mais fácil a um homem encontrar emprego.  Cerca de 77% das Mulheres na Europa divide funções profissionais com o trabalho doméstico, sendo que apenas 24% dos homens gasta o seu tempo deste modo.

Não há igualdade em tempo, nem em poder. A influência social das Mulheres continua a ser reduzida e as discriminações têm ainda um lugar maior na mentalidade de homens e mulheres por toda a parte. 16,7% de Mulheres trabalhadoras na Europa foram em 2016 vítimas de Assédio moral e 14, 4% de assédio sexual, Portugal é um dos países com mais casos. Já chega? Ainda existiria muito por escrever…

Felizmente, as Mulheres estão a perder o medo de falar. Felizmente também há cada vez mais Homens que também as defendem. Para quem não sabe: “um(a) feminista é alguém que reconhece a igualdade e a plena humanidade de mulheres e homens”. Esta batalha é de todos. Trata-se de  respeitar e celebrar as diferenças entre ambos os géneros, (não de uma agressão), sabendo em simultâneo que apesar disso os nossos direitos são os mesmos. Chimamanda Ngozi Adichie, escreveu o óbvio: “Devemos todos ser feministas”.  Deixo o apelo: Sejam feministas todos os dias, conseguimos Mulheres e Homens fazer melhor que isto.

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