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Mara Alves Opinião Vila Verde

Opinião de Mara Alves: “A mediatização da morte: Eutanásia”

De época em época, de forma mais ou menos regular, a opinião pública volta a falar das escolhas de Vida e de Morte, em Doença. A Morte é uma inevitabilidade da vida. Faz parte de um ciclo, com início e fim.

Esta pode chegar mais cedo ou mais tarde na vida de cada um de nós e daqueles que nos rodeiam. E quando chega, deve ser vivida com Dignidade e com Qualidade até ao último batimento cardíaco.

A saúde é uma temática que está em constante mutação. Desde os avanços tecnológicos, até novas descobertas de fármacos e tratamentos que podem vir a beneficiar a saúde das pessoas. Atualmente, a atenção está voltada para a cura de diversas patologias, principalmente as que são consideradas crónicas, para a reversão de alterações/deficiências físicas ainda a prevenção que continua a ser a melhor forma de combater a taxa de mortalidade.

No entanto, numa população que caminha a passos largos para o envelhecimento, e consequentemente para o surgimento de co-morbilidades associadas a este processo, o tema fim de vida, por vezes e infelizmente, tem um papel demasiado secundário. Duas temáticas relacionadas com este assunto e que merecem uma reflexão profunda e cuidada são a morte clinicamente assistida (eutanásia) e os cuidados paliativos.

Os cuidados paliativos não são um prognóstico ou um diagnóstico. Os cuidados paliativos definem-se como uma resposta ativa aos problemas decorrentes da doença prolongada, incurável e progressiva, na tentativa de prevenir o sofrimento que ela gera e de proporcionar a máxima qualidade de vida possível a estes doentes e suas famílias. São cuidados de saúde ativos, rigorosos, que combinam ciência e humanismo. Os cuidados paliativos centram-se na importância da dignidade da pessoa ainda que doente, vulnerável e limitada, aceitando a morte como uma etapa natural da VIDA que, até por isso, deve ser vivida intensamente até ao fim.

A palavra EUTANÁSIA provém do grego e significa morte boa, tendo por base acabar com o sofrimento o mais rapidamente possível. Entende-se por eutanásia a morte deliberada e intencional de um individuo, na sequência de um pedido consciente por parte deste, e é concedida pelo profissional que a acolheu, dando-lhe execução. Ou seja, o procedimento de morte é deliberadamente provocado, em virtude de um quadro patológico incurável, onde o individuo solicita a sua morte.

A eutanásia, é vista pelos peritos em ética e bioética como um pedido de ajuda por parte de pessoas que se encontram perante um diagnóstico de uma doença progressiva, grave ou incurável. O que não é o mesmo que dizer que essa pessoa está em fim de vida.

A eutanásia não acaba com o sofrimento, acaba com a vida. O sofrimento continua a estar lá. E depois de morrer já não existe sofrimento, é um facto mas também é um facto que sabemos que aquela pessoa foi eutanasiada, morreu em sofrimento. Pois o sofrimento seja físico ou existencial é tratável. Muitas vezes é um caminho complexo, e talvez o mais difícil por isso necessitar de ajuda especializada, mas é possível e é uma realidade em unidades de cuidados paliativos devidamente preparadas para dar vida aos dias. Mas estes cuidados nunca poderão ser vistos como uma alternativa à eutanásia.

Seja qual for a convicção de cada um de nós no que diz respeito a escolha de viver e de morrer a discussão deverá ser muito mais do que os apelos mediáticos que fazem dela.

Até porque o direito de morrer com Dignidade nada tem a ver com a eutanásia.

A vida daqueles que se encontram numa situação mais vulnerável deve ser protegida. Aqueles a quem é diagnosticado uma doença incurável não têm uma vida com menos valor. Tem uma vida. E é precisamente na forma como a sociedade olha e defende os mais vulneráveis que definimos o que somos.

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