Andreia Santos
Andreia Santos Opinião

Opinião de Andreia Santos. “Para além da dor”

Já é Primavera há algum tempo. Os dias ganham uma cor nova, mais claros e com aromas de flores, árvores e fins de tarde. São também mais longos, cada vez mais, e permitem-nos por isso aumentar horas para nós e para os outros. Esta estação marca um renascimento natural, impossível de impedir, curioso de se viver…

Também o é, por vezes, emocionalmente. Há alguns dias li uma ideia com a qual concordo: o ser humano estará preparado para renascer ao longo da vida. Mesmo quando esta parece ter terminado, dada a tragédia e dor com que nos encontramos. Elizabeth Kubler Ross, uma das principais autoras citadas na área do luto e da gestão emocional das perdas, diz-nos em sintonia: “as pessoas bonitas não acontecem meramente, atravessam a derrota, lutam para sobreviver, ultrapassam a dor…” o que as torna mais elas e compassivas, ou seja, donas de valores de sensibilidades elevadas.

Tem dias em que o mundo acaba do nada. Em que ao invés de conduzirmos a nossa vida, é a mudança que nos escolhe e dá o caminho. Vejamos a história de Sheryl Sandeberg, parceira de Mark Zuckerberg na empresa Facebook. Um dia, sem autorização, o seu companheiro partiu para sempre… Um eufemismo para tanto peso… Quando confrontada com “o elefante gigante sentado na sala”, Sheryl preferiria não o ter conhecido: trazer o seu companheiro de volta foi a resposta que deu a um amigo próximo quando questionada sobre as suas opções. Só que esta não era uma condição. Restou-lhe a travessia… ter abraçado o elefante, ter vivido com ele, ter aprendido a separar-se da pessoa que era antes, para dar lugar à Opção B.

Opção B é o nome do seu livro, onde fala de coragem, resiliência, superação e do reencontro com a alegria. E diz: não adianta não querer sentir muito, mais importante é conhecer aquele sentimento e passar por ele com ele. Reaprender a ser. “É sempre de nós que nos separamos quando perdemos alguém”. É necessário tempo. Reestruturação.

Quando falamos de perdas, presumimos crises, transições. Estas etapas encerram desafios e exigem novos olhares. Lutos, separações, largadas de emprego, divórcios… são acontecimentos carregados de dureza e violência. Mas possíveis. Se nos entregarmos, percebermos que no meio da dor há esperança e novas oportunidades a cada nova estação em que nos ganhamos de volta. “Podemos arrancar todas as flores, mas não conseguimos evitar que a Primavera chegue” – Pablo Neruda.

Um tempo de coragem! Até breve!

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Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional

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