Alfredo Cunha
Destaque Vila Verde

Alfredo Cunha. “Como costumo dizer à malta de Lisboa, sou o fotógrafo de Vila Verde”

“Como costumo dizer à malta de Lisboa, sou o fotógrafo de Vila Verde”. É desta forma que um dos maiores nomes do jornalismo português se descreve, em tom de brincadeira, perante os camaradas de profissão.

A viver na Quinta do Rego, freguesia de Sabariz, há 25 anos, Alfredo Cunha ficou conhecido na história do jornalismo por todo um registo fotográfico que inclui os mais emblemáticos retratos da “Revolução dos Cravos”, para além de ter sido editor de fotografia de jornais como o Público (1989-1997) ou o Jornal de Notícias (2003/2012).

Nascido em Celorico da Beira há 64 anos, viveu em Lisboa, onde começou no jornalismo através do jornal Notícias da Amadora, em 1971. Foi a partir de Lisboa também que foi nomeado fotógrafo oficial dos presidentes da República – Ramalho Eanes (1876/1978) e Mário Soares (1985/1996) -, mas, no final desse “périplo” presidencial, decidiu mudar-se de “estojos e bagagens” para Vila Verde, e, ao V, afirma: “Daqui já ninguém me tira”.

O facto da esposa ter família em Vila Verde aliado à qualidade da vida rural trouxe-o para o concelho minhoto, mas nem todos entenderam isso. “Nós, os portugueses, nos quais me incluo, achamos que na provincia ainda se vive no século XIX, e refiro-me mais aos habitantes de Porto e Lisboa”, explica, desvendando que “digo-lhes que vivo aqui porque tenho uma qualidade de vida que não teria noutro lado”. Alfredo Cunha diz mesmo que “havendo água e luz, não há problema”.

E Vila Verde foi palco de um momento marcante para o fotojornalista, quando Mário Soares veio ter com Salgado Zenha a Soutelo. “Eram outros tempos e em Vila Verde havia gente capaz em todas as áreas políticas”, revela, dizendo que “hoje em dia ainda há muita gente capaz, mas a atual classe política de Vila Verde não tem grande visão estratégica”, lamenta.

Apesar de um pouco de “descrença” na organização política do concelho, Alfredo Cunha mostra-se “atento” à política no concelho, e deixa a crítica da “demasiada atenção nas festas quando há gente com problemas básicos que nem têm que comer”.

Com uma carreira profissional preenchida por momentos interventivos e de visão social, Alfredo mostra-se uma pessoa atenta aos problemas, dando o exemplo das descargas poluentes (ver pag8) no rio Homem: “Conheço o senhor que está a alertar para esse problema e tem toda a razão, pois já fala disso há muito tempo e ainda ninguém resolveu aquilo”, aponta. Outra “política” conhecida de Alfredo Cunha é a tomada de posição pública (ver V69) sobre os planos de estacionamento na praia da Malheira, em Sabariz. “Se vão lá construir estacionamentos, vão matar a Malheira”, apontou.

Mas Alfredo Cunha não viveu só os eventos mais marcantes a nível nacional, pois foi amealhando, através de registo fotográfico, as memórias que expôs no Museu da Cordoaria Nacional, em Lisboa – uma seleção de 500 fotografias que é também a maior exposição de fotografia feita por um português a nível mundial.

Atualmente, o “fotógrafo de Vila Verde” dedica-se a Grandes Reportagens, que publica no Expresso, no Público, no JN, e onde achar mais adequado. “Agora tenho liberdade, não tenho de ficar em fechos editoriais, ter horários, agenda, é tudo mais fácil embora sempre tenha feito tudo com gosto”, diz, revelando que “e agora posso viajar, estive em nove países nos dois últimos anos em trabalho para a AMI e para o Expresso”. “O próximo trabalho vai ser na China, mas não vou dizer o que é para não entregar o ouro ao bandido”, diz um humorado Alfredo Cunha.

Mas, na China, ou na Indía, de onde voltou recentemente após reportagem para o Expresso, Alfredo Cunha sabe sempre qual o local no mundo de onde “já ninguém o tira” – freguesia de Sabariz, concelho de Vila Verde.

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