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Nídio Silva Opinião

Opinião de Nídio Silva. “Um eterno Obrigado”

Escrevo esta crónica ao terceiro dia de luto nacional pela tragédia que se abateu sobre Portugal com epicentro em Pedrogão Grande. Dos Céus, raios de fogo e rajadas ciclónicas de vento irromperam impiedosamente sobre terras e gentes indefesas num cenário dantesco e de indescritível violência.

Disseram os peritos que, naquelas circunstâncias, nenhum sistema de proteção civil poderia ter evitado o horror que ficou daquele impiedoso inferno de chamas. Alguns foram até mais longe ao considerarem que mais meios de socorro naquele local, àquela hora, certamente que, apenas, acrescentariam mais desgraça à que se abateu sobre todos nós.

Dando de barato os habituais profetas de circunstância, as judites da nossa “perdição” por um jornalismo que precisa de uma reforma maior do que a da floresta, foi comovente sentir o pulsar de um país solidário na hora da desgraça e gratificante ver a proximidade dos que nos governam numa presença constante junto do teatro das operações e das populações devastadas pelo ladrão que, sem avisar, lhes deu cabo da vida e das vidas. As hienas do costume ficaram sem alimento e pouco a pouco bateram em retirada.

Neste cair de tarde abrasador, centenas de bombeiros de todo o país enfrentam, temerários, o incêndio pavoroso subsequente à tragédia de Pedrogão Grande, já lá vão três dias.

À sua volta, o país une-se no combate solidário para que o trabalho dos soldados da paz frutifique depressa e, sem demora, se lance mãos à reconstrução do muito que em escombros ficou.

Por estas alturas, todos os que amamos os bombeiros percebemos, ainda melhor, o valor da formação de homens e mulheres que têm de enfrentar situações de grande adversidade e de morte iminente perante o perigo inaudito. Os poucos que dentro da grande Casa dos Bombeiros ainda pensam diferente, quase sempre dirigentes de meia tijela, são, graças a Deus, refugo de uma espécie quase extinta.

Talvez tenhamos que, a par de uma nova floresta, disseminar pelo país novos Corpos de Bombeiros Sapadores, com grande formação específica, deixando o voluntariado para as tarefas menos exigentes, que não importantes, do socorro a pessoas e bens.

Só é vencido quem desiste de lutar, ensinou-nos Mário Soares. Os bombeiros nunca, por isso, serão vencidos.

Ajudemo-los a cumprir este desígnio sublime que a todos nos comove todos os dias em que os vemos a enfrentar os piores cenários e a adentrarem-se pelas piores das catástrofes, dando a vida pela vida do seu semelhante.

PS.: um abraço solidário do tamanho de Portugal para os que estão de luto, particularmente muito apertadinho para os nossos Bombeiros que sofrem com a perda de mais um valoroso Soldado da Paz.

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