Andreia Santos
Andreia Santos Opinião

Opinião de Andreia Santos: “Mariana não, obrigada!”

Esta semana começou a falar de Mulheres. Mais concretamente das pessoas omissas na “nossa história”, nas palavras da Marta (que está aqui ao meu lado), das anti-princesas portuguesas, as feministas que o regime, a censura, tentaram apagar… silenciar… A descoberta foi inspiradora e motivo de orgulho.

No entanto… desejaria que não existisse este mas… trouxeram consigo uma reflexão pesada… a do tempo, que por muito que passe, não extinguiu ainda as opressões. A das lutas ainda necessárias pelos Direitos de Mulheres e Homens condicionados pela hegemonia do modelo, sem sentido, imposto culturalmente.

E a cabeça andou… dados os casos conversados ou os relatos irónicos, eróticos, soberbos das “Três Marias”, n “As Novas Cartas Portuguesas”… A minha cabeça andou para o agora: conheço pessoas assim, vocês leitores conhecem… Mulheres assim… prisioneiras. (Avaliei se eu seria prisioneira).

A determinada altura neste livro “mal amado”, (disse-me a Joana, sentada do meu outro lado, que não faz parte do Roteiro dos Cursos de Literatura Portuguesa), as autoras questionam o mito do amor romântico; as subversões sociais e políticas da mulher, a sexualidade, “todas as formas de opressão da ditadura”.

A Mariana, “mulher abandonada, suplicante e submissa, alternado entre a adoração e o ódio e praticando um discurso de paixão avassaladora pelo cavaleiro que se apaixonara também, mas partira depois…” é igual a tantas outras que hoje vivem devotas e protegidas na sua condição feminina pelos seus maridos… que podem também ir, fazer o que querem, usufruindo sempre do cuidado doméstico e doce.

Como os excertos do livro quando levados à letra, esta realidade é insultuosa e maligna. Não há classe social que salve esta existência. Este é um crime transversal.

As Mulheres não são de ninguém, como os Homens. Têm corpo e pensamento. Como os Homens. Não são apenas bonitas, nem frágeis, como os Homens quer queiram, quer não.

“Nem produtoras de filhos, nem vendedoras da sua força ao homem-patrão.” O fascismo já acabou. Não há sexo de segunda ordem, vergado, privado e usado. Porque é que ainda sobrevivemos? E demora tanto chegar ao mesmo patamar? Estamos fartas de assédio e proteção. E de nojo! De Sentir nojo. De nós e dos outros.

O que mais importa… é que isto não é amor, nem igualdade, nem liberdade… Tenho estado felizmente com pessoas que não se cansam de batalhar pela igualdade de oportunidades e de resultados. Mas esta luta é de todos! E como de umas questões derivam as outras: permitam- me despedir com a felicidade das semanas anteriores aquando da aprovação das quotas de género nas empresas e com um agradecimento especial a Simone Veil que nos deixou.

Coragem! Até Breve!

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