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Mara Alves Opinião

Opinião de Mara Alves. “Casa roubada, trancas à porta – Incêndios Florestais”

Os portugueses perante os trágicos acontecimentos do mês passado ficam com a sensação que muito falta fazer pela floresta. E que muita da legislação já está produzida, restando alguma em estado preparatório. Há, contudo, situações com alguma susceptibilidade institucional, económica, social e cultural.

Pretende-se num ápice – reformar tudo, de modo a esconder uma situação que se arrasta há anos. O rodopio dos “responsáveis” por Pedrogão Grande é revelador do desnorte que se encontra o país. Surgem assim os apelos à ‘reforma da floresta’, ao emparcelamento rural, à prevenção, à activação das ZIF’s (Zonas de Intervenção Florestal), à gestão da floresta, etc., multiplicavam-se na boca dos intervenientes e a comunicação social explora o assunto até à náusea. Não pediram às vítimas que sobreviveram uma opinião sobre a floresta e o seu futuro. Não foi pedida opinião as vítimas que sobreviveram sobre a floresta e o seu futuro. A atenção concentrou-se no que as chamas deixaram do agregado urbano (habitado) colocado no meio de uma grande “selva” florestada e muito desordenada.

Simultaneamente, enquanto a combustão seguia ouviam-se vozes dos arautos que falavam de gestão, conservação, prevenção. Para afastar olhares e responsabilidades começou-se a falar de sapadores florestais, guardas florestais e vigilantes da natureza, que por razões orçamentais os dois últimos foram extintos, esquecendo assim o frequente flagelo que a cada verão assombra o país. Na verdade, sobre o Estado não pode recair todas as culpas sobre a gestão da floresta e a imagem que passa não é a verdadeira: pois o índice de floresta nacional pública é baixo.

Depois do período que vivemos, e das crescentes dificuldades em preveni-los e em combate-los será muito difícil continuar a deixar a propriedade rural fazer o seu caminho anarquicamente. Primeiro, será necessário cadastrar o território. A área de florestação, a que não ocupa toda a área rural, ver as suas especificidades, condicionantes e particularidades. O que não pode é ser deixada ao livre arbítrio do(s) proprietário(s), seja individual, associado, corporativo ou empresarial. Nem toda a gente poderá ter as espécies arborizadas que deseja ou pensa como adaptável. A regulação da atividade florestal não passa necessariamente pela diminuição da rentabilidade económica deste sector.

Até lá é necessário assegurar o condicionamento da floresta, fiscalizar, embargar e promover medidas de segurança para os cidadãos que vivem no meio rural. Uma tarefa a ser executada impiedosamente, isto é, com os mesmos métodos que o fogo usa para lavrar no meio rural.

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