Joao Paulo
João Paulo Silva Opinião

Opinião de João Paulo Silva. “Turismo, fogos e o futuro”

Permita – me caro leitor por lhe solicitar autorização para colocar por escrito o que mais perto tenho da alma, o que, em boa verdade pode resultar num texto nada interessante, condição que, antecipadamente me leva a pedir desculpa pelo seu tempo perdido.

Mas, pense comigo: não acha impossível que ano após ano o país continue a arder e ninguém faça nada? Todos os verões aparece uma sequência quase matemática: o fogo mata a nossa alma, a televisão faz o direto e o especialista aponta quase tantas soluções como as árvores ardidas.  E no ano a seguir?  E no seguinte?

Creio que na cabeça de todos nós está uma certeza: não é possível que os incêndios continuem a ser um direto de verão nas nossas televisões.
E, assumindo o meu papel de ignorante no tema, só vejo uma solução: o estado tem que fazer o levantamento de todas as propriedades existentes e avançar com a nacionalização de terras. Se o privado não faz, temos que ser todos nós a fazer. É essa a função do estado, servir de mecanismo de gestão da coisa pública.

E esta intervenção estatal é igualmente necessária na área da habitação urbana, nomeadamente nos centros históricos das cidades, onde o Porto, a norte, aparece como o caso mais evidente. Conhece a noite de S. João no Porto? Agora imagine que esse caos urbano se repete diariamente nas velhas ruas da cidade e em torno do Rio Douro, dos dois lados do leito. Para além do impacto na circulação viária e na qualidade dos serviços de transporte há os preços, em permanente alta, da habitação que está a empurrar para fora do Porto os seus habitantes. O que há dois anos era uma renda mensal, hoje é transformado em lucro em menos de uma semana. Não há mercado que resista a tal pressão.

Perante isto, ficamos todos a olhar? Que interesse turístico terá uma cidade sem pessoas? Turistas a ver turistas?
Se chegou aqui, merece o meu reconhecimento. Provavelmente terá ficado ainda mais confuso, mas também sou capaz de fazer melhor nestas duas áreas. Alguma coisa tem de ser feito e tem que ser o estado a intervir. As duas certezas desta minha confusão.

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