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Andreia Santos Opinião Vila Verde

Opinião de Andreia Santos. “Acenda a Luz”

Há pouco tempo celebrou-se no Reino Unido o Dia Nacional da Poesia. Gosto de pessoas que gostam de poesia. Admirar as palavras é necessariamente gostar de viver. É como apreciar o mar.

Terminaram por cá as Eleições Autárquicas. Neste rescaldo pode parecer que falar de poesia é um assunto paralelo e sem qualquer relação. Mas não é. Sem me pronunciar sobre Vila Verde, (como gosto de escrever este nome), minha desde sempre e aonde quer que eu vá, sem falar de alguém em particular, sem análises às campanhas e resultados, (dou-vos a minha melhor desculpa: não caberia para isso o espaço que gentilmente o V me concede), divago desta vez sobre líderes na generalidade. E os presidentes de Camara e Juntas de Freguesia aqui pertencem, a este grupo. Mais acrescento, faço uma recomendação à partida: incluir a pergunta – “Gosta de Poesia?” na admissão dos candidatos a alguma eleição deveria ser obrigatório e vinculativo.

“As pessoas não parecem compreender que a visão que têm do mundo é igualmente uma confissão de carácter.” Assim, não pode ser admitido que alguém em lugar de “acender a luz” do caminho dos outros não consiga ver a luminosidade da vida à sua volta. Não falo de saber ler, ou apreciar ler, muito menos de saber escrever… Mas de acreditar, de acordar para os outros sem o que já ouvi ou li: “eles não merecem”; “não vale a pena”; “mudemos de eleitores”; “estas pessoas não dão valor a isto”… Nada disto, isto está errado. Muito. Perdoem a acentuação. Ou com distância e racionalidade lá vamos ou perdemos um dia o trono, (diria o Fernando André Silva, deste jornal).

O autor da afirmação anterior também disse: “A opinião de uma pessoa sobre o mundo (a realidade) parece ser uma prova inequívoca da força do seu carácter. A tendência para culpar ou desdenhar parece variar inversamente às virtudes da coragem e da compaixão.” (Ralph Waldo Emerson). E eu concordo. Outra vez, muito! A cultura abafará sempre a estratégia. Repeti de propósito a palavra carácter neste artigo. Pois esta é a âncora permanente. Podemos concluir. Gostar de mandar não é nem nunca será liderar. Ao contrário, o significado de se ser racional emerge da vontade de colocar a força pessoal ao serviço do entendimento e “empoderamento” dos seguidores, reconhecendo nestes a verdadeira energia do progresso. Esta será uma condição sem a qual nada se alcança, ficando tudo na mesma. Ou pior. Façam daqui a leitura que considerarem oportuna. ´É desejável que quem lá está ou quer estar no comando da tomada de decisões saiba/sinta e nos diga em primeiro lugar que confia no mundo, em nós. E que para sermos a melhor versão de cada um nos dê as condições necessárias, acabe com discriminações e desigualdades e que com otimismo saiba ler o horizonte de mérito e força de quem mais ordena.

Não falei de ninguém. De nada, mas de tudo. Regressarei ao trabalho agora. E se precisar, como um político, de inspiração, vou ler, porque me resta a consciência de que “a poesia teve até agora a função de acordar os que dormem por outros meios que não o ataque.” Ainda e em nota final: boas partilhas! Um Outubro sereno e feliz! Até já!

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