Rentes de Carvalho
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Centralismo. Famoso escritor luso-holandês quer Braga como capital de Portugal

José Rentes de Carvalho, escritor e jornalista luso-holandês galardoado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, “sonha” com o dia em que o resto do país declara independência de Lisboa e proclama Braga como capital de Portugal.

Em artigo de opinião com o título “Bolsa farta e barriga cheia”, publicado este domingo no jornal Correio da Manhã, Rentes de Carvalho aponta “Braga, Guimarães ou São João da Madeira” como local ideal para instalar a capital portuguesa, apelidando essas cidades como “lugares onde se produz”.

Numa clara crítica ao centralismo de Lisboa e ao discurso de 5 de outubro de Marcelo Rebelo de Sousa, o escritor assinala que o Presidente da República não reconhece que se vivam os mesmos problemas por cá, comparativamente ao separatismo em Espanha. ”

“Por razões várias, as palavras do Presidente e a interpretação do jornalista confirmam uma velha ideia minha, a de que Lisboa é um enclave, povoado por gente que tem uma vaga ideia do país a que pertence”, refere Rentes de Carvalho, revelando… um sonho.

“Daí o sonho que há muito acalento, de uma bela manhã acordar com a notícia de Portugal se ter declarado independente de Lisboa”, aponta. Em jeito de futurologia, o luso-holandês traça todo um cenário de “agitação e susto” numa fase inicial, para depois haver “um simulacro de negociações”.  Rentes de Carvalho “sonha” ainda que “o país, por ser mais sensato, levaria a melhor, mudando então a capital para Braga, Guimarães, ou São João da Madeira, lugares onde se trabalha e produz”.

“A Lisboa restaria a dor de cabeça de ter de ganhar o seu sustento, em vez de, tal um cavalheiro de indústria, continuar a viver à grande e à francesa à custa de traficâncias e contos do vigário”, refere o escritor, citando ainda Eça de Queirós: “Paris, Londres, Nova Iorque, Berlim, suam e trabalham. Lisboa ressona ao sol…”.

“Como pode acontecer que o leitor desabusado encolha os ombros, tomando o que atrás fica por divagações de literato, deito mão de um texto de António Fidalgo, Reitor da UBI, que no Observador do passado dia 20 afirmava: “Como é que Portugal poderia recorrer aos fundos de coesão comunitários se não tivesse os pobres de ofício? Lisboa não é zona de convergência, mas acaba de receber, efectivamente, mais dinheiro de fundos comunitários que qualquer zona do Interior. Depois de dezenas de anos a receber fundos de coesão europeus, temos cada vez mais um país de risca a três quartos. Iniquidade é o que é. Chamem-se os bois pelos nomes”, finaliza José Rentes de Carvalho.

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