Mara Alves
Mara Alves Opinião

Opinião de Mara Alves. “Não confundo pessoas com causas…”

Raríssimas vezes vi coisa tão desprezível como esta, a de um grupo restrito de pessoas que vive faustosamente à “pála” de IPSS que apenas consegue sobreviver de contribuições do Estado e de privados.

O jornal público divulgou recentemente que as principais IPSS de Vila Nova de Gaia eram totalmente controladas por assessores, familiares e amigos de autarcas da cidade, colocando em destaque o facto de a própria mulher do presidente da Câmara ser vice-presidente de uma das principais instituições de solidariedade social do concelho e ter visto o seu salário em cinco anos aumentado 390%, o presidente do Conselho Metropolitano do Porto Vítor Rodrigues, veio dizer na altura que se tratava de uma “cabala” e “campanha negra”, assegurando absoluta transparência nas relações entre o Município e as IPSS em causa. Foi pedida uma auditoria pelo Ministério tutelado pelo Dr. Vieira da Silva. Até hoje, não se obteve qualquer informação pública.

Agora é uma reportagem da TVI que traz ao conhecimento público mais um caso passado com outra IPSS que se dedica, alegadamente, ao apoio a crianças com doenças raras.

O assunto envolve, segundo a TVI, o uso ilegítimo de dinheiros públicos para fins pessoais, tais como deslocações fictícias, compra de vestidos de alta costura, carros topo de gama, gastos pessoais em supermercados e, mais uma vez, salários altos. Mais uma vez, o argumento é a tese da “cabala” e da “campanha negra”, os “interesses obscuros” e o “jornalismo de emboscada”, argumentos que se tornaram arma de arremesso sempre que é imprescindível erguer cortinas de fumo e justificar o injustificável, tentando escapar à responsabilidade civil, política e criminal. E perante tão evidentes indícios de degradação, é também cada vez mais ténue a diferença entre a negligência e a cumplicidade do Ministério que tutela a Economia Social.

A impunidade, juntamente com os impostos, é uma das poucas certezas que os cidadãos podem ter sobre o governo do seu país. Tudo parece acabar em gavetas sem fundo, onde o tempo cumpre a sua tarefa de fazer esquecer uma realidade já impossível.

Raríssimas vezes vi melhor oportunidade para que um chefe de governo dê um exemplo moral ao país, afastando ou suspendendo de funções, imediatamente e sem hesitações, todos quantos estejam envolvidos nesta história sórdida.

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