Bombeiros esperam na fila do SU do Hospital de Braga / Semanário V
Bombeiros esperam na fila do SU do Hospital de Braga / Semanário V
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Saúde. Urgências de Braga registam “pico de adesão” exagerado

O Serviço de Urgências do Hospital de Braga não tem escapado ao pico de adesão, habitual nesta altura de festas. Segundo dados recolhidos pelo Semanário V, só nesta última segunda-feira, deram entrada naquele serviço 720 utentes, sendo 25% por cento acima da média diária [574] de atendimento.

Em declarações ao Semanário V, o diretor do serviço de urgências do Hospital de Braga explica que “o período crítico tem registado subidas até 35% na média” e tem estado “consecutivamente” a registar acima dos 20% desde o período de Natal.

“O período crítico ainda não acalmou. Só esta segunda-feira tivemos novo recorde de 2018, com 720 urgências naquele dia”, refere Jorge Teixeira.

“Em alturas de pico, chegamos a ter 780 doentes, no dia 26 de dezembro, que foi o dia em que tivemos mais doentes. Nesta segunda-feira registou-se o maior pico desde o início do ano de 2018, com 720 urgências”, refere, divulgando que “deram entrada nas urgências cerca de 209 000 utentes durante todo o ano”.

Jorge Teixeira (Diretor Serviço de Urgências do Hospital de Braga) / DR
Jorge Teixeira (Diretor Serviço de Urgências do Hospital de Braga) / DR

Jorge Teixeira explica que foi deliberado um plano atempado para dar resposta ao aumento de urgências mas a “procura exagerada foi um constrangimento para as expectativas”.

“Temos um plano mas a procura foi acima do planeamento, o que nos obrigou ser reativos e ajudar a esta procura exagerada”, refere Jorge Teixeira, indicando que o serviço aumentou o número de recursos humanos para dar resposta.

“Aumentamos o número de médicos, de técnicos e enfermeiros e neste momento estamos a dar uma resposta que se pode considerar aceitável tendo em conta a procura”

O diretor do serviço de Urgência garante que a “reação ao tempo de espera é sustentável e a resposta está a ser dada dentro do tempo preconizado” e explica que “os amarelos raramente esperam mais de duas horas enquanto os urgentes são atendidos o mais rapidamente possível”.

Fachada do Serviço de Urgências do Hospital de Braga / DRFachada do Serviço de Urgências do Hospital de Braga / DR

Sobrecarga na Medicina Interna

Jorge Teixeira alude ainda para a “sobrecarga” da medicina interna que tem a capacidade lotada no que toca a doentes internados, não havendo camas disponíveis naquela unidade.

“Muitos doentes têm problemas complicados associados à idade e acabam por ficar internados o que leva a uma sobrelotação nos internamentos”, explica, referindo que pode haver atrasos entre a urgência e o internamento.

O diretor do serviço deixa o alerta para que os utentes contactem os centros de saúde ou a linha de apoio Saúde24 antes de se deslocarem às urgências.

“Temos doentes que vêm com sintomas comuns, como a ranheta no nariz ou dores de garganta. São coisas que se resolvem no médico de família e não nas urgências. Se houver essa atenção por parte das pessoas, a urgência já não ficará tão sobrecarregada e é melhor para todos”, explica.

Constrangimento para socorristas

O pico anormal que se tem registado desde o período de Natal acaba por ser um ciclo vicioso que impede um socorro célere por parte das corporações de Bombeiros que acorrem àquele serviço hospitalar.

O V sabe que há situações em que vítimas de acidentes rodoviários são obrigados a esperar na maca das ambulâncias que os transportaram para as urgências, adiando assim o regresso do socorro à corporação. Fonte dos Bombeiros de Vila Verde indicou ao V que “já foram várias as vezes que se recusaram serviços por termos as ambulâncias retidas nas Urgências por ser necessária a maca da viatura”. O mesmo foi corroborado por elementos das corporações de Amares, Terras de Bouro e Braga.

Bombeiros esperam na fila do SU do Hospital de Braga / Semanário V
Bombeiros esperam no SU no Hospital de Braga / Semanário V

Jorge Teixeira diz compreender a situação mas apela ao bom-senso das corporações e rebate a ideia de que se trata de uma “espera prolongada”. “Eventualmente podem esperar algum tempo até disponibilizarmos maca mas não será mais de meia-hora”, refere.

O serviço de Urgências do Hospital de Braga regista uma média de 574 utentes diários e de cerca de 210 mil urgências anuais. A média das últimas duas semanas mantém-se 25% acima do normal.

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