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Opinião Paula Ferreira

Opinião. “Tenho gripe… E agora?”

A gripe é uma doença viral, ou seja causada por um vírus, que geralmente provoca sintomas como mau estar, febre, dores musculares e de cabeça, garganta irritada, entre outros. Geralmente trata-se de um quadro clínico auto – limitado (duração entre 3 a 5 dias), benigno, que se cura com repouso, hidratação e antipiréticos. A menos que estejamos perante alguma complicação, não está indicada a toma de antibióticos, que atuam sobre as bactérias, mas não têm qualquer efeito terapêutico sobre os vírus.

É importante que cada um de nós tenha presente que esta é uma doença contagiosa e que as medidas que evitem a sua propagação são fundamentais. Alguns exemplos são a lavagem frequente das mãos (sempre que espirrar, por exemplo), já que o vírus se propaga através do ar e da manipulação de objetos contaminados, como lenços de papel usados. A educação para a saúde das populações é de fulcral importância na quebra da cadeia de transmissão das doenças contagiosas, dado que impede que a mesma se propague indiscriminadamente à população geral. Assim sendo, se recorrer aos serviços de saúde, o utente deverá evitar o contacto direto com os outros usuários dos serviços, com o uso de máscara e com a desinfeção das mãos após assoar-se ou espirrar.

Apesar de se tratar de uma situação benigna, em algumas pessoas mais vulneráveis, como os idosos, crianças e indivíduos com doenças crónicas (como a diabetes e a doença pulmonar obstrutiva crónica, entre outras), podem surgir complicações que requeiram a utilização de tratamentos médicos mais agressivos e, em alguns casos, pode ser necessária a hospitalização. Nestas populações, assim como na população geral, está indicada a vacinação. Há, no entanto, a ter em consideração que a imunidade frente ao vírus da gripe é limitada, pelo que a vacina deve ser repetida anualmente, geralmente no início dos meses mais frios (outubro ou novembro). Isto acontece pela facilidade com que estes vírus sofrem alterações no seu código genético (mutações), que torna difícil prever qual a estirpe que circulará no ano seguinte e, assim, criar uma vacina 100% eficaz. De qualquer modo, tem vindo a ser demonstrado que a vacinação das populações mais vulneráveis previne a ocorrência de complicações mais graves e a mortalidade.

Esta é uma doença de toda a vida, cujo tratamento se baseia na utilização de uma boa dose de bom senso: antipiréticos e banho de água tépida para baixar a febre, repouso e ingestão abundante de água, para manter o organismo bem hidratado. Deve evitar-se o contágio dos familiares, colegas de trabalho e amigos, adoptando medidas como lavagem das mãos, utilização de lenços de papel descartáveis e colocando o cotovelo à frente da boca ao espirrar. A evicção de locais muito populosos, como os centros comerciais e hipermercados, também é uma medida de contenção do contágio, que deve ser levada em consideração. Nos casos dos indivíduos mais frágeis, no surgimento de complicações, estes devem dirigir-se imediatamente aos centros de saúde para serem observados, de forma a evitar o seu agravamento. E o conselho mais importante: proteja-se prevenindo a doença: tome a sua vacina da gripe anualmente! Esta é, ainda, a melhor defesa perante o problema!

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Paula M. Ferreira

Paula M. Ferreira

Médica especialista em Medicina Geral e Familiar

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