Arménio Carlos com os trabalhadores dos transportes Nogueira em greve  ©  Lusa
Arménio Carlos com os trabalhadores dos transportes Nogueira em greve © Lusa
País

CGTP denuncia “caso de polícia” em grupo de transportes de Famalicão

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou hoje que há “situações que indiciam fraude e evasão fiscal” no Grupo Transportes Nogueira, em Famalicão, sublinhando que se trata de “um caso de polícia”.

Arménio Carlos, que falava à porta daquele grupo, durante uma greve dos trabalhadores, explicou que em causa está o facto de a entidade patronal não discriminar, na folha de vencimento, todas as matérias pecuniárias.

Segundo o dirigente sindical, a folha não especifica se os valores que dela constam se referem a trabalho extraordinário, a ajudas de custo, a salário, a prémios ou a trabalho prestado em dias de descanso semanal ou feriados.

“Temos aqui um caso de polícia, que decorre do facto de esta empresa continuar a recusar fornecer aos trabalhadores e aos sindicatos os descritivos, nomeadamente das matérias de expressão pecuniária que devem estar na folha [salarial] e que não estão”, referiu.

Para Arménio Carlos, esta é uma situação que exige a intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho e do Ministério Público.

“Não se pode permitir situações que indiciam fraudes e evasão fiscal e isso está-se a passar aqui dentro”, sublinhou.

O líder da CGTP disse que os sindicatos já pediram “duas ou três vezes” à entidade patronal para discriminar toda aquela informação salarial na folha de vencimento, mas sem sucesso.

“É ou não é uma situação que levanta suspeita? É. Estamos ou não perante um caso polícia? Estamos. Importa averiguar, para se saber até que ponto a entidade patronal, por esta via, não está a subverter a lei e a prejudicar os trabalhadores”, acrescentou.

A greve dos trabalhadores do Grupo Transportes Nogueira, que começou a 06 de abril e termina no sábado, visa reclamar melhores salários e o cumprimento da contratação coletiva.

Os trabalhadores queixam-se de que os seus salários não são aumentados há mais de 10 anos e que a entidade patronal decidiu substituir as ajudas de custo pelo pagamento ao quilómetro.

“Todos sabemos que o contrato ao quilómetro leva a que os trabalhadores sofram um desgaste enormíssimo e ponham em causa a sua saúde e é um atentado à segurança rodoviária”, disse Arménio Carlos.

Filipe Azevedo, do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, disse que naquele grupo se está a passar “algo gravíssimo”, com motoristas que “chegam a cumprir 16 a 18 horas por dia”.

Os trabalhadores exigem um salário-base de 800 euros e as 35 horas anuais de formação contempladas na lei, cumpridas dentro do seu horário de trabalho e pagas pela entidade patronal.

“Estamos numa empresa que pensa que é um ‘bunker’, que se recusa a aplicar quer a contratação coletiva quer a lei dentro das suas próprias instalações,”, disse ainda Arménio Carlos.

A Lusa tentou ouvir a administração do Grupo Transportes Nogueira, que se escusou a fazer qualquer declaração.

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