Dallas - Centro Comercial - Porto
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Porto: Dallas foi “conta poupança” que não chegou a tempo da reforma dos investidores

Quando surgiu no Porto, há 30 anos, o centro comercial Dallas parecia o investimento perfeito para garantir uma reforma tranquila, mas nem a legalização em curso, nem a perspetiva de reabertura motivam alguns proprietários a manter interesse no projeto.

“Estou interessado em vender. Estou cheio disto. Foi muito tempo, estou saturado”, desabafa, em declarações à Lusa, António Martins Pereira, de 71 anos, natural da Póvoa de Lanhoso e emigrante em França, agora reformado, que desta vez não teve de se deslocar de propósito a Portugal para participar na assembleia de condóminos do Dallas porque veio à terra passar a Páscoa.

O perfil do comprador do Dallas, o segundo centro comercial do Porto, “foi o investidor que pensou na sua reforma”, admite Carlos Loureiro, gestor do condomínio construído nos anos 80, que engloba também quatro edifícios de escritórios e habitação, num total de 500 condóminos, para quem o plano de pormenor recentemente aprovado pela Câmara do Porto para legalizar o empreendimento surge como esperança para acabar com uma dor de cabeça de 30 anos.

António Saraiva, de 86 anos, fica com a voz embargada e os olhos rasos de água quando lhe falam na solução. Não que o desfecho lhe desagrade, o problema é dos anos que passaram: “Sempre pensei que houvesse solução, mas com a minha idade… quero vender. Gostava de ver-me livre disto, porque já começo a sentir-me um bocado cansado”, descreve.

Lamentando os anos que passaram “sem solução”, o empresário do Porto alugou a um bar a loja que comprou no Dallas.

“Parecia um bom investimento e realmente tinha muito movimento. Na altura o Dallas estava quase no auge. Correu bem até 1996. Depois entrou um bocadinho em decadência, até que fechou”, recorda.

Belmiro Marques, de 66 anos, é natural de Chaves, estava emigrado em França quando investiu no Dallas e foi por lá que ficou por causa do negócio que correu mal.

“Na loja do Dallas investi seis mil e tal contos. Ai se tenho investido este dinheiro lá…”

“Investi aqui pensando que era bom. Naquele tempo queria empregar o dinheiro. Diziam que era onde melhor se empregava. O que aconteceu abriu-me os olhos. Construi casa lá [em França]. Se não fosse isto talvez a tivesse construído aqui. Na loja do Dallas investi seis mil e tal contos [cerca de 30 mil euros]. Ai se tenho investido este dinheiro lá…”, imagina o proprietário.

O advogado, Batista Pereira, considera que a solução encontrada para legalizar e reabrir o centro comercial “parece positiva”, porque “a única maneira de recuperar o investimento é ficar com o espaço comercial”.

Maria Rosete Marques, de 60 anos, reside em Aveiro e tem “nove problemas” ou seja, escritórios, a maior parte dos quais estava vazios quando os pais faleceram e a herança lhe foi parar as mãos.

Representa também os dois irmãos nas negociações e espera agora “sair do problema”.

Em maio de 2009, os proprietários do Dallas ameaçaram avançar para tribunal para obrigar a autarquia a legalizar o empreendimento e, em 2011, a maioria camarária liderada pelo social-democrata Rui Rio aprovou a proposta dos condóminos para elaborar um plano de pormenor que regularizasse os imóveis.

Situado na avenida da Boavista, o complexo inclui cinco edifícios, construídos desde a década de 80, que abrangem escritórios, habitação e o centro comercial, o segundo da cidade, que abriu em 1984 com 500 frações e foi encerrado em 1999, por questões de segurança.

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