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Naufrágio: Igreja apela à comunidade internacional para criar legislação que proteja imigrantes

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, Jorge Ortiga, pediu hoje à comunidade internacional para criar legislação que proteja todos aqueles que procuram melhores condições de vida arriscando travessias marítimas que terminam em catástrofes.

“Devia haver uma legislação internacional que os protegesse e que permitisse o acesso a outras condições de trabalho e a viver noutros lugares”, defendeu Jorge Ortiga em declarações à agência Lusa.

O ex-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa recordou que fenómenos como o naufrágio ocorrido no sábado, no mar Mediterrâneo, ocorrem “num tempo em que se fala tanto dos direitos da pessoa humana”, mas se verificam, ao mesmo tempo, fenómenos de “verdadeiro tráfego de pessoas à procura de melhores condições de vida”, que deixam o seu ambiente familiar.

Uma traineira com cerca de 30 metros de comprimento e 700 imigrantes a bordo naufragou na noite de sábado a 60 milhas da costa da Líbia, tendo sido encontrados até agora 28 sobreviventes.

Segundo os últimos dados divulgados pelas autoridades italianas, estão confirmados 28 mortos e continuam desaparecidos todos os restantes ocupantes da embarcação.

Perante o elevado número de imigrantes a bordo, que continuam desaparecidos, teme-se que este seja o mais trágico naufrágio no Mediterrâneo, onde nos últimos anos morreram vários milhares de pessoas, oriundas sobretudo do norte de África, na tentativa de chegar à Europa.

O arcebispo de Braga considerou que “evidentemente não é possível, nem será possível acolher todas as pessoas nos mesmos lugares”, mas alertou a comunidade internacional para que olhe para estas realidades e encontre uma solução.

“Se a comunidade internacional olhasse para estas realidades, com certeza que encontraria uma solução orientada para proteger, precisamente, a dignidade daquelas pessoas que, com muita probabilidade de não conseguirem o objetivo que pretendem, arriscando a própria vida, se submetem a essa experiencia que tem conduzido a tantas catástrofes que ultimamente temos presenciado”, sublinhou.

Segundo dados da ONU, a confirmar-se a morte dos imigrantes desaparecidos no naufrágio de sábado, desde o início do ano terão morrido em águas do Mediterrâneo cerca de 1.600 pessoas, as quais se somam às mais de 3.500 que perderam a vida em 2014.

A União Europeia vai realizar hoje uma reunião de urgência dos seus ministros do Interior e dos Negócios Estrangeiros para debater a situação.

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