Raquel R. Ribeiro
Raquel R. Ribeiro
Opinião Raquel Rodrigues Ribeiro

Opinião de Raquel R. Ribeiro. “Será a centralização uma razão transversal?”

No passado dia 11 de Maio foi a votos na Assembleia da República, «unida em plenário, a candidatura portuguesa à fixação da Agência Europeia do Medicamento, em Lisboa (atualmente com sede em Londres, mas em vias de relocalização com a saída do Reino Unido da União Europeia).

Enfaticamente foi apresentado o resultado da votação, com uma aprovação por unanimidade, e um “voto de saudação” pelo interesse nacional. Certos e concordantes nesse interesse nacional, não podemos deixar de nos debater com a falta de sentido da abrangência desse interesse, por parte dos deputados eleitos pelos seus distritos.

O facto de esses representantes escolhidos virem um mês depois criticar o sentido do seu próprio voto confirma que estão imbuídos de um esquecimento que também passa pela defesa das potencialidades territoriais dos seus círculos eleitorais.

Uma coisa é certa, em ano de eleições autárquicas este revés na convicção do voto simboliza a alteração de que o que hoje é unânime, amanhã pode ser discutível.

Até porque a crítica local, marcada pelo ataque pessoal e de desespero por parte daqueles que se avançam como proponentes à liderança da bancada parlamentar, deixa muito a desejar no que a integridade diz respeito, como espelha a atualidade com a aceitação da exoneração pedida por quem teve a verticalidade de assumir que beneficiou de viagens pagas por empresas nacionais para assistir a jogos do Euro 2016 em França.

Agora, e continuando pela defesa do interesse nacional, num momento em que tanto se fala pelos corredores do hemiciclo em descentralização, perante estas convicções, será que estamos preparados para concretizar a malfadada regionalização eternamente prevista na Constituição da República Portuguesa?

O maior impacto com a concretização dessa medida repercutir-se-ia no combate à desertificação humana no interior do País. Até porque, de nada serve a reformulação de políticas florestais se não se promover o meio rural para que a floresta seja vivida e, dessa forma, proporcionar a sua proteção.

A permanente centralização dos polos de atração tem sido responsável pela existência de zonas do país sem investimento, sem agricultura e sem jovens.

Num País com apenas cerca de 92.212 km² é notória a falta de ambição política em promover distritos que já demonstraram as suas potencialidades económicas e de os dotar de efetivos fatores impulsionadores à escala internacional.

Pelo contrário, os motores económicos têm sido colocados confortavelmente junto ao mar, mais propriamente na grande metrópole onde nomeadamente, já se encontram as Agências do Observatório da Droga e da Segurança Marítima.

E a principal culpada não é a ignorância. É a falta de coragem para enfrentar este definitivo desafio de dinâmica territorial. Ou será também esquecimento?

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