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Nídio Silva Opinião

Opinião de Nídio Silva: “Só é vencido quem desiste de lutar”

Um mês depois da tragédia de Pedrógão Grande e arredores, permanece acesa a politiquice que à sua volta se gerou e que tem alimentado as mais estapafúrdias encenações, quase todas querendo lamentavelmente cavalgar a desgraça alheia, quando o que se exige é trabalho para reparar o que está mal, fazendo o que há décadas já deveria ter sido realizado.

A floresta portuguesa é um emaranhado de arvoredos, silvados, palheiros, palhuços, matagais de todo o feitio e tamanho, que se constituem como uma mistura combustível imparável quando o fogo aparece pelo meio.

Se a este estado das coisas juntarmos as forças da natureza, sobretudo o vento, nada mais resta do que salvar vidas e fugir para longe. Se aqui se achegar um fenómeno
natural inimaginável como o que se abateu sobre Pedrógão, então, Deus tenha piedade de quem por perto andar. O homem, ainda não produziu conhecimento para lutar contra forças dantescas da natureza.

Portugal precisa de equipas de sapadores profissionais que andem no terreno todo o ano, limpando e preparando as florestas para os incêndios, e que sejam., também, a primeira força de ataque quando a coisa vira para o torto. Aqui, sim, os bombeiros voluntários serão preciosos auxiliares e complementos.

Portugal tem perdido a sua floresta e, infelizmente, vai continuar a perdê-la por mais uns anos, até que se atue com determinação no seu reordenamento, doa a quem doer, atacando a propriedade abandonada e os lóbis que vivem dos incêndios, colocando no terreno quem saiba mandar e, sobretudo, executar, fazendo disso um verdadeiro corta-fogo que rapidamente extinguirá todos os focos que nos ameaçam todos os dias.

É fácil nestas ocasiões pedir a cabeça de quem manda e mais fácil seria, ainda, a quem manda ir embora e deixar o palco aos papagaios que aparecem em tudo quanto é órgão de comunicação social a alimentar a demagogia parola com quase sempre se pavoneiam por aí. Todos sabem de tudo e muito poucos parecem doutos no que dizem. E é curioso, para não dizer uma coisa feia, como tantos se arrogam a dirimir com eminentes investigadores e estudiosos de renome mundial do fenómeno dos incêndios. Uma tristeza que a comunicação social que temos alimenta de uma forma vergonhosa.

O povo que sofre com as tragédias não precisa de tagarelas falantes, nem de quem desapareça e o deixe entregue à sua sorte. Pelo que vimos e sabemos, os governantes de Portugal diretamente relacionados com as áreas da governação a quem incumbe a supervisão fizeram muito bem em se manterem firmes no teatro das operações, como avisado andou o nosso primeiro ministro na solidariedade total que lhes prestou no terreno e, depois, na cobertura que deu à ação de cada um deles. E, obviamente, não demitindo ninguém.

A tragédia não nos prostrará, nem nos fará soçobrar. Aqui e sempre, só é vencido quem desiste de lutar. Sigamos, nesta firme luta contra a tragédia, o ensinamento perene de Mário Soares.

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