Emigrantes de Valbom
Emigrantes de Valbom
Destaque Vila Verde

Valbom. “Arrepio-me sempre quando vejo a placa a dizer Vila Verde”

De matrículas estrangeiras, umas da Suiça, outras do Luxemburgo, mas maioritariamente francesas, a comunidade emigrante chega ao concelho de Vila Verde para as férias de verão, como se passa um pouco por todo o país. Nesta altura, as freguesias crescem em habitantes, e em alguns casos, como é o de Valbom São Martinho, chegam mesmo a quadriplicar.

Em Valbom São Martinho, no café com o nome do padroeiro da freguesia, são vários os emigrantes que se juntam para jogar cartas, beber uns copos e pôr a conversa em dia.

Mateus Martins

Mateus Martins, de 24 anos, está em França desde que nasceu, na região de Paris, mas vem todos os anos a Valbom, visitar família e amigos, e desfrutar do clima. Mateus diz que “em Valbom, podemos sair de camisola de manga curta que já sabemos que não vamos apanhar frio”.

O valbonense traz o clima na mente e a família no coração, e o calor das pessoas, mas que nem sempre é positivo. “As pessoas por cá são mais alegres, falam sem se conhecer, e aqui os mais velhos jogam às cartas com os mais novos e não há qualquer problema, ao contrário de onde estou”, diz Mateus, lamentando apenas que “por cá toda a gente diz bom dia, mas também toda a gente fala da vida uns dos outros”. “Em Paris, cada um vive no seu quadrado e não há este falatório”, diz, entre risos, deixando ainda elogios ao único café da freguesia. “Só estamos cá por causa do café senão íamos para Terras de Bouro”, conta.

Jorge Fernandes é de Valbom e está no Luxemburgo
Jorge Fernandes é de Valbom e está no Luxemburgo

“Fui para o Luxemburgo porque aqui não há nada”

O lamento é de Jorge Fernandes, de 29 anos, e filho da terra. O pedreiro que reside em Dudelange, volta sempre “para ver a mãe”, mas lamenta ver cada vez menos pessoas na rua. “Está tudo a morrer e não nascem crianças e isso é a maior diferença que encontro, ano após ano, sempre que cá regresso”, diz.

Mas, e ao contrário de Mateus, que pensa ficar por França o resto da vida, Jorge quer voltar. “Dou graças por me terem acolhido lá fora mas não há nada como o canto da gente”, conta, enquanto pede “mais um fino” a Joaquim Gonçalves, proprietário do café.

Joaquim Gonçalves diz que a "consoada" é no verão
Joaquim Gonçalves diz que a “consoada” é no verão

“É a nossa consoada”

“Para nós é sempre bom quando regressam os emigrantes. É a nossa consoada”, diz o comerciante entre risos. “Consomem cerveja, petiscada, jogam umas cartas, passam bem aqui o tempo”, acrescenta. “Só é pena quando vão embora… isto fica tão vazio”, desabada.

E Jorge Fernandes corrobora. “São centenas de emigrantes no Luxemburgo todos aqui da zona, entre Vila Verde, Terras de Bouro e Amares”, diz, apontando mesmo que “Amares é o concelho que tem mais gente emigrada no Luxemburgo”. Mas Jorge Fernandes também lamenta ver menos gente em Valbom, mas acha que no centro de Vila Verde se vê mais gente. “Por lá está mais bonito, há mais gente na rua e gosto de ir lá passear. Vou quase todos os dias”, aponta.

Arlindo Afonseca está na Suiça
Arlindo Afonseca está na Suiça

“Arrepio-me sempre quando vejo a placa a dizer Vila Verde”

Arlindo Afonseca está em Lausanne, na Suiça, há dez anos. O valbonense “de coração”, agora com 29, diz que “quando se passa a fronteira até o cheiro é diferente”. “Sinto um arrepio quando vejo a placa a dizer Vila Verde e um ainda maior quando vejo a dizer Valbom”, conta o jovem que regressa sempre para ver a família e para visitar o “seu” rio Homem. “Lá não encontrei nenhum rio como o Homem. Vou sempre até ao rio quando volto, matar saudades”, confessa.

Sobre as mudanças que encontrou em Valbom São Martinho, nos últimos dez anos, Arlindo destaca a escola que fechou. “Andei lá mas agora está fechada e isso é um bocado triste”, confessa. “Mas também não é problema meu porque quando regressar, porque vou regressar, vou morar em Terras de Bouro”, finaliza.

(Notícia completa na edição impressa do Semanário V, a 9 de agosto)

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