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Destaque Vila Verde

Oriz. “Saudades da mercearia da Dona Florinda”

Vindos da Alemanha, da Suiça, de Andorra ou do Luxemburgo, a comunidade emigrante chega à freguesia de Oriz São Miguel, concelho de Vila Verde, para as férias de verão, como se passa um pouco por todo o país. Nesta altura, as freguesias crescem em habitantes, e em alguns casos, como é o das duas freguesias de Oriz, há que preparar uma boa festa que acolha os filhos da terra de braços bem abertos.

Em Oriz São Miguel, ao pé da sede da junta, são vários os emigrantes que se juntaram aos residentes na freguesia para comer, ouvir música ao vivo e trocar experiências sobre como é a vida por cá e como tem sido “lá por fora”.

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“Lá trabalha-se mais do que aqui”

Carolina Mendes está há 29 anos na Alemanha, mas regressa sempre que pode. “Fui para Offenburg para melhorar a vida mas quando chego a Oriz, bem, é o melhor de tudo”, conta a orizense que não pensa em voltar de vez. “Cheguei a ponderar regressar quando a minha filha estava em idade escolar mas a qualidade de vida por lá é muito diferente”, explica Carolina, que divide funções numa escola primária e num supermercado.

“Tem de ser, lá trabalha-se muito”, aponta, clarificando a diferença. “Lá trabalha-se mais do que aqui, pego às 6 da manhã e só largo à noite, tenho dois trabalhos e só assim consigo manter a qualidade de vida que tenho por lá”, explica a emigrante, que, ao longo das últimas três décadas, foi notando alguma evolução na freguesia.

“Tenho saudades da mercearia da dona Florinda e do senhor António, que morreu há dias. Sei que agora passaram para o café novo, mas era uma marca da freguesia”, conta uma nostálgica Carolina. “Faz parte da minha infância”, vaticina.

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“Quando entro em Oriz ganho logo outro ânimo”

Já José Fernandes está há 18 anos em Andorra, e aproveita o convívio realizado na freguesia para encontrar caras amigas. “É sempre bom ver gente que não se vê todo o ano”, conta o emigrante, que foi para Andorra, como tantos outros, em busca de uma vida melhor.

Regressando à terra, aproveita para passear por Vila Verde e desfrutar de alguns cantos da freguesia, como a zona de lazer. “Por lá nem rios há”, diz José.

“Nem rios, nem praias”, completa Joaquim Paredes, que também está emigrado em Andorra. “Lá não há um canto natural para se tomar banho em condições e claro que aproveitámos quando voltámos à terra”, diz Joaquim, lamentando que se veja menos gente na freguesia. “É pena que assim seja, mas pode ser que melhore nos próximos tempos”, diz Joaquim, com fé.

“Mas a melhor parte de voltar a Oriz são os convívios”, dizem os dois a uma voz.

Quem também aproveitou o convívio de Oriz foi outro emigrante, este considerado “premium” de Vila Verde.

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“Quando pago cá um café penso que se enganaram no troco”

O antigo presidente da Câmara emigrado em Bruxelas, José Manuel Fernandes, disse ao V que se sente um “emigrante priveligiado”, por regressar todos os fins de semana a Vila Verde.

“Às vezes vou pagar um café e penso que as pessoas se enganam no troco”, confessa, entre risos. “Um pequeno almoço em Bruxelas é um jantar em Portugal e às vezes, apresentam-me a conta e eu começo a insistir que ainda foi mais isto e aquilo mas depois lembro-me que não estou em Bruxelas”, diz o eurodeputado que, embora emigrado, regressa semanalmente.

“Desde que estou no Parlamento, há 8 anos, só falhei um fim de semana, que foi quando os aeroportos estavam fechados por causa das cinzas de um vulcão”, disse. “Mas mesmo assim era para vir de carro, mas só podia estar cá duas horas, e acabei por não vir”, conta JMF.

“Quanto mais ando pelo mundo mais gosto de Portugal e mais amo Vila Verde, porque nem sempre temos consciência da qualidade de vida que aqui temos”, diz o eurodeputado.

“Quando estamos fora valorizamos mais o que temos, vemos o sistema de saúde que há, e começamos a gostar mais do nosso”, conta o eurodeputado,

“Tenho pena do Eucalipto de Moure ter definhado”

Apesar de estar no convívio de Oriz, JMF é natural de Moure, e, como emigrante, gosta de ver o eucalipto no lugar, embora lamente a morte da árvore.

“Tenho pena do eucalipto ter definhado. Não sei a razão da morte do eucalipto, porque uma árvore tem um tempo de vida, como nós, mas gostava que nunca tivesse morrido”, confessa o emigrante que tem sempre a “felicidade” de ter “saudade”, mesmo quando regressa todas as semanas a Vila Verde. “Só quem está lá fora é que sabe”, termina.

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