Raquel R. Ribeiro
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Opinião de Raquel Rodrigues Ribeiro. “Sim sou esquerdino, não sou canhoto”

O “Dia Internacional dos Esquerdinos” surgiu em 1992, no dia 13 de agosto, pelo clube britânico Left-Handers, como forma de protesto contra a discriminação e perseguição sobre os esquerdinos que perdurava ao longo de séculos, com o objetivo de chamar a atenção e por forma a desmistificar o estigma presente em quase todas as culturas.

Para os antigos gregos e romanos o lado esquerdo era considerado como inferior e profano. No Corão e na Bíblia cristã os favoritos de Deus colocam-se sempre à direita. Ao longo de mais de mil anos, a Igreja Católica sustentou que ser canhoto era um sinal do diabo identificando os seus seguidores na Terra. Ainda, atualmente, os muçulmanos proíbem que as sagradas escrituras sejam tocadas com a mão esquerda.

Com origem na palavra latina “sinister”, o esquerdino, ou vulgarmente o “canhoto” foi considerado, durante muito tempo, um “defeito” porque escrever bem só se fazia com a mão direita.  Sinais que permanecem no dicionário de Língua Portuguesa, que define “canhoto” como aquele “que executa com a mão esquerda aquilo que geralmente se executa com a direita” e, em sentido figurado, “inábil, desajeitado, desastrado”.

Por outro lado, um “destro” é aquele que é “hábil, ágil, desembaraçado”. Há também expressões populares que valorizam de forma diferente os dois hemisférios do corpo: diz-se que “o desafortunado acordou com o pé esquerdo” e, na passagem de ano, desejamos que “entrem com o pé direito”.

Atualmente, os psicoterapeutas consideram antipedagógicas as “implicações de coagir um canhoto a escrever com a mão oposta.”. Travar algo tão natural como escolher a mão dominante impede que o processo flua e cria dificuldades na escrita. A história retrata isso mesmo com Jorge VI, do Reino Unido, pai da atual rainha de Inglaterra, que foi coagido a escrever com a mãe direita e como consequência desenvolveu gagueira contínua.

De facto, 90% da população é destra, logo, é natural que a sociedade esteja preparada para funcionar “às direitas”, tornando as tarefas mais simples complexas para os, esquerdinos. Tarefas como usar uma tesoura, facas, abre-latas, tacos de golfe, as canetas de gel que não são práticas para quem escreve de dentro para fora, porque “se corre o risco de borrar tudo”, os cadernos com argolas “dão dores nos pulsos pela pressão” e não conseguem
escrever até ao fim da folha devido à posição da mão. Já para não falar de quando chegamos a um auditório de uma faculdade, biblioteca, ou de uma qualquer instituição pública, e o apoio para escrever só está pensado para destros.

Em todo o caso, são vários os notáveis esquerdinos, tais como Leonardo da Vinci, Gandhi, Beethoven, Albert Einstein, Joana d’Arc, Barack Obama, Bill Gates.
De acordo com estudos científicos, apesar da menor esperança média de vida, os esquerdinos têm uma vantagem de pensamento, visto que usam os dois hemisférios do cérebro, e são, por isso mesmo, mais imaginativos e mais rápidos no processamento de múltiplos estímulos cerebrais.

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