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Marrancos. Onde ainda se cuida do linho à moda dos antigos

A freguesia de Marrancos acolheu ontem, 2 de setembro, uma das mais emblemáticas atividades da programação turístico-cultural Na Rota das Colheitas, do Município de Vila Verde. Não faltou o vestuário da época, as alfaias tradicionais e os cantares típicos da ocasião. Tudo preparado ao pormenor para levar vila-verdenses e visitantes numa viagem ao passado, de (re)descoberta da genuína cultura popular do Minho. A recriação da Espadelada do Linho incluiu também as celebrações do quarto aniversário do Museu do Linho, o único museu nacional dedicado integralmente ao ciclo do linho, desde a sementeira até ao tear. Com quatro anos de existência, o Museu do Linho conta já com milhares de visitantes vindos de vários pontos do planeta. Além de inúmeros países europeus, já recebeu visitas da Nova Zelândia, Argélia, Israel e Venezuela, entre outros.

O calor abrasante de uma soalheira tarde de Verão não demoveu a vontade dos visitantes nem dos intervenientes na recriação histórica. Trajados a rigor, mais de duas dezenas de figurantes recriaram meticulosamente o processo da espadelada, manipulando vigorosamente as alfaias tradicionais utilizadas pelos nossos avós para extrair as fibras da planta do linho. A visita dos ‘Mascarados sem Juízo’, o encontro de ‘Cantares Tradicionais do Ciclo do Linho’ e a atuação do Rancho Folclórico de Marrancos garantiram momentos de diversão e animação pela tarde dentro. Pelo meio, tempo ainda para visitas guiadas ao Museu do Linho, do Traje e Eco-Natural, conduzidas por um dos maiores especialistas na matéria em toda a região, o senhor Abílio Ferreira. No final, terminou tudo como manda a boa tradição minhota, com uma merenda farta generosamente partilhada com todos os presentes.

Um pedido da mãe levou Abílio Ferreira a fazer renascer a tradição

O marranquenho Abílio Ferreira é o nome de que todos falam na hora de conversar sobre a produção do linho. Um entusiasta pelas tradições locais e defensor intransigente da cultura popular, que desde cedo percebeu que o abandono generalizado da agricultura na nossa região poderia colocar em perigo os saberes antigos. Se bem o pensou, melhor o fez. No início da década de oitenta do século passado, deitou mãos à obra e fez renascer uma prática agrícola em perigo de extinção. Tudo começou com um pedido da própria mãe, revelou o octogenário. Para não se perder a semente, Abílio Ferreira continuou a plantar o linho e a realizar a espadelada, transmitindo este saber às gerações mais jovens, valorizando e preservando traços idiossincráticos da genuína cultura popular da região minhota.

Visitantes de vários pontos do país

No entanto, houve também quem tivesse vindo de bem longe para sentir na primeira pessoa o pulsar do mundo rural. João Reis estava pela região minhota durante o fim de semana e, mal soube da iniciativa, reservou a tarde de domingo para uma visita a Marrancos. “Estava por cá para a Noite Branca [em Braga], soube desta iniciativa pelo Facebook e aproveitei para vir conhecer este processo tradicional. É a primeira vez que cá venho e estou a gostar bastante, é uma experiência diferente e enriquecedora, que valoriza as tradições antigas”, referiu João Reis.

António Vilela: Tradição “projeta a freguesia e o concelho a nível nacional e internacional”

Por sua vez, o presidente do Município de Vila Verde começou por deixar rasgados elogios a Abílio Ferreira, à ARC Marrancos, à Junta da UF de Marrancos e Arcozelo e a todos os participantes, pelo excelente trabalho desenvolvido em prol da cultura minhota. “Este museu não se fecha em quatro paredes, todos os anos temos transmissões televisivas a partir de Marrancos, que projetam a freguesia e o concelho a nível nacional e internacional. São autênticos embaixadores da nossa terra, da cultura minhota e da cultura do nosso país, dentro e fora de portas”, afirmou António Vilela.

A recriação da Espadelada do Linho é organizada pela ARC Marrancos em conjunto com a Junta da União de Freguesias de Marrancos e Arcozelo, com o apoio do Município de Vila Verde.

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