Elda Fernandes
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Elda Fernandes Opinião

Opinião de Elda Fernandes. “A paridade nas Autárquicas”

“A menos de um mês das eleições autárquicas podemos analisar à lupa as estratégias de marketing e a aplicação prática da lei da paridade nas candidaturas, segundo a lei devem apresentar 33% de percentagem mínima correspondente a um dos géneros. Em teoria os partidos a eleições cumprem os requisitos. O Bloco de Esquerda em Braga, de acordo com a candidata Paula Nogueira cumpriu a paridade de forma”quase” absoluta não apenas para aplicar a lei mas pela validade das mulheres igual à dos homens, o discurso feminista, diga-se alguém que luta pela igualdade entre géneros é motivo de aplauso, como mulher, não militante do Bloco de Esquerda concordo a 100%: um/uma político/a deve ser avaliado/a pela capacidade de representar os cidadãos/cidadãs e pela capacidade de gerir, fazer oposição e trabalhar em prol da freguesia, cidade, país, o género é apenas uma categoria distante de influenciar o ato político.

No entanto apresentar listas com a lei das quotas exigida nos termos legais nem sempre é sinal de igualdade entre os géneros e nas campanhas políticas e ações de cada partido, através das publicações em redes sociais o cenário é longe de ser igualitário e o género masculino está na fila da frente.

O PSD, CDS-PP e PPM constituintes da Coligação Juntos por Braga mostram uma presença mais assídua do género masculino em eventos públicos, não uma, nem duas, nem três vezes é mesmo quase sempre. A visita à coletividade Bravos da Boa Luz realizou-se, com base nas fotografias publicadas por elementos masculinos, contrariando as fotografias do movimento de voluntários “Eu, por Braga” onde as mulheres aparecem em maior número, mas as coincidências, ou escolhas do fotógrafo/a da campanha não ficam por aqui, sendo notória a primeira fila da transmissão do debate da RTP3 na sede de campanha constituída por homens, na apresentação do candidato à união de freguesias de Arentim e Cunha com o atual presidente rodeado,imagine-se? Por homens. As escolhas para presidente das 37 freguesias são maioritariamente homens sendo as excepções apenas 5.

Na oposição, o Bloco de Esquerda mantém o equilíbrio nas candidaturas às juntas de freguesia e também na campanha pré-eleições mas é o único partido no espectro esquerdo, já que a Coligação Democrática Unitária-CDU apresenta mais candidatos masculinos e o PS igualmente, o Nós sem candidatura às juntas apresenta uma mulher como terceira na lista do partido.

Com presença discreta nas redes sociais e planos de comunicação menos estruturados a oposição não consegue igualar a Coligação Juntos por Braga, que nas publicações expõem mais esta desigualdade entre géneros, mas será uma escolha de quem gere as redes sociais ou é um facto que há menos mulheres e estas ocupam lugares secundários nas lides políticas?
A prevalência masculina na linha da frente política ultrapassa Braga e no caso português contraria os dados: Portugal tem mais mulheres que homens, as mulheres têm mais formação, são mais bem-sucedidas nas universidades. Porque não reflete-se esta realidade na política?

Urge incentivar as mulheres no universo partidário para chegarem à linha da frente e marcarem posição no terreno, ao mesmo tempo esbater o preconceito que a mulher na política tende masculinizar-se , quando isso é uma opção contrária a ser feminina, e nenhuma é certa ou errada. A política deve abandonar rótulos e paradigmas, que ao invés de estimular afastam as mulheres exigindo em demasia delas quando há camaradagem para eles. O espaço público e político deve fomentar o mesmo a todos, não diferenciando géneros ou culpabilizá-los por opções pessoais ou não consensuais pela a norma social imposta. A reflexão deve iniciar-se nos comportamentos partidários como espelho da sociedade.

Há um logo caminho a percorrer para abolir um conjunto de constrangimentos para atrair mulheres para a esfera política e perceber que as feministas fazem falta nos partidos, nos congressos, nos debates, nas campanhas, não na sombra masculina, mas na linha fila da frente a competir de igual para igual. Esta é a nossa luta a nível mundial, da União Europeia (apenas 29% são mulheres com cargos), do país, da nossa cidade e da nossa freguesia.:desconstruir ideias, afastar medos e lutar pela igualdade de género, uma luta que só com mais feministas ( de ambos os géneros) iremos conseguir ganhar e a política é o ponto de partida.”

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