Rafa Vieira
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Rafa Vieira. Ligou a sirene e fez história em Vila Verde

Chamam-lhe a prova rainha por alguma razão. Pela magia. Todos os anos, a Taça de Portugal conta histórias improváveis. Começa logo pela possibilidade de equipas de I Liga defrontarem equipas de escalões não profissionais, muitas vezes longe dos grandes centros do país – o que cria o ambiente de festa, de taça.

Foi esse ambiente que se sentiu no Cruz do Reguengo a 15 de outubro, na terceira vez em que o Vilaverdense Futebol Clube esteve na terceira eliminatória da taça e o primeiro jogo que venceu. (em 2012-13 foi goleado 6-1 pelo Vitória Sport Clube e no ano seguinte perdeu em casa do Camacha por 2-1). O Boavista chegou a Vila Verde com aspirações de chegar longe no caminho para o Jamor.

Ao Vila, cabia cumprir o papel de disputar a partida de olhos nos olhos com a pantera. Assim foi. E de que maneira. E é neste capítulo da nova página do Vilaverdense que entra Rafael Vieira. No Cruz do Reguengo, há muito que lhe vão chamando o “bombeiro de elite”. Por estar no sítio certo à hora certa. Seja para um corte in extremis ou… Para, no último lance da primeira parte do jogo, numa altura em que já ninguém contava, despertar a emoção e euforia no Cruz do Reguengo ao atirar para o fundo das redes boavisteiras e fazer o único golo da partida, na sequência de uma bola parada. “Nos relatos chamavam-me bombeiro e eu achava uma certa piada”, brinca o central do Vila. “Mas acho que agora o nome vai ficar. Foi mesmo isso que aconteceu no lance do golo. O meu papel é ajudar defensivamente mas vi a bola voar na minha direção e foi só chutar com a canela. Foi a sirene a ligar”.

Tem 25 anos e está há dois em Vila Verde. Grande parte da juventude foi passada em Guimarães. Cumpriu a formação no Vitória, clube de onde foi dispensado. Passou pelo Ribeirão e também pelo Bragança. Uma história como tantas outras que aparecem nos escalões inferiores do futebol português. Que este jogo pode transformar porque essa é outra das magias da Taça: mudar vidas. Rafael Vieira sabe disso. “Foi o golo mais importante da minha carreira, mas não vou ficar por aqui”, atira o central. “É o resultado do coletivo também. A nossa equipa é uma família. É tudo também graças a eles. Sei que é um golo que vai ficar na memória e é um dia que não vou esquecer, venha o que vier”. E o que é que vem aí? “Agora estou focado em ajudar o Vila. Temos campeonato já no próximo domingo e, para já, arrumamos com a taça. Queremos chegar à II Liga e vamos conseguir”, sublinha o jogador natural de Vieira do Minho. Na próxima eliminatória, “pouco importa quem encontrarmos. Já toda a gente percebeu que entramos sem medo”, remata Rafael Vieira.

O futuro “a Deus pertence”, mas a página no Campo Cruz do Reguengo ficou escrita. E tão cedo não vai sair da retina nem de Rafael, nem dos colegas, nem da equipa técnica, nem de quem acompanha a equipa de Vila Verde o momento em que a bola dispara da canela do central e passa por Vagner como uma bala. Golo. História.

Texto: Ariana Azevedo

Foto: JOAQUIM LIMA/ESTÚDIOS LIMA VILA VERDE

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