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Cultura Região

Famalicão. Sobreiro morto transformado em obra de arte

“A memória imposta à morte”. É esta a ideia que está na base da conceção da nova escultura do Parque da Devesa, criada a partir de um sobreiro morto pelo arquiteto Gonçalo Nunes de Andrade, e cuja apresentação pública aconteceu na sexta-feira, 28 de outubro, com a presença do autor e do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha.

“Memória Inscrita” inscreve a memória de um sobreiro com cerca de 50 anos na paisagem do Parque. “Todos temos memórias de árvores que tiveram significado para nós, aqui procurou-se perpetuar essa memória através de trechos metálicos que configuram um perfil desta árvore de forma incompleta tal e qual as memórias que conservamos na nossa mente. A memória ganha aqui também uma dimensão de oposição à morte, a memória como o perpetuar da vida”, explica o autor.

Situada no ponto mais alto do Parque da Devesa, junto a uma das entradas do parque, a obra apresenta-se também como “uma espécie de prolongamento da vida enquanto evolução de um corpo físico”, diz Gonçalo Nunes de Andrade. E pormenoriza: “Enquanto viva a árvore crescia, evoluía e todos os anos adquiria um registo diferente. Agora na morte através da evolução da decomposição a árvore vai continuar a evoluir a apresentar registos diferentes até que fica apenas a sua memória inscrita.”

“É um novo motivo de interesse, a juntar a muitos outros, para as pessoas visitarem e desfrutarem do Parque da Devesa. A presença de obras de arte, perfeitamente integradas na harmonia da natureza, é um reforço à imagem do parque enquanto espaço de contemplação e de reflexão, que também o é”, refere Paulo Cunha.

Recorde-se que esta não é a primeira escultura do parque nascida a partir da morte de uma árvore. No ano passado, o artista plástico Isaque Pinheiro apresentou a peça “Rebater uma árvore”, que consistiu na transformação de um carvalho morto com cerca de 110 anos de idade. O próprio autor do projeto do Parque da Devesa, Arq. Noé Dinis, iniciou esta prática do Parque da Devesa de prolongar a vida das árvores do parque para além da sua morte com a criação do Caminho das Árvores Pintadas aquando a construção do parque, em 2012, que integra um conjunto de três troncos de choupos multicoloridos que são uma das imagens fortes do Parque.

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