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Mara Mourão. A “rainha” das concertinas é de Vila Verde

Por esse país fora chamam-lhe a “rainha” das concertinas. E o título não é para menos. Mara Mourão tem 34 anos e é “agarrada” à concertina desde os 16, estando há cinco anos como “tocadora” do Augusto Canário. Ao mesmo tempo, leva a vida de empresária, primeiro relacionado com a área das seguradoras, e agora com uma nova loja dos CTT em nome próprio.

Do mundo da música, confessa ter aprendido com “o melhor”. “Aprendi a tocar com o senhor Armando Viana Mourão, tocador de concertina e o meu único ídolo e melhor amigo”, revela Mara, referindo-se ao próprio pai, que já foi considerado “o melhor tocador de Vila Verde”.

Mas nem foi pela concertina que Mara começou a tocar. “Quando era pequenita, em Aboim da Nóbrega, de onde sou natural, havia uma rapariga que limpava a igreja e estava lá sozinha”, conta Mara, explicando que começou a fazer-lhe companhia. “Um dia vi o órgão da igreja e comecei a tocar, então o meu pai percebeu que eu tinha jeito e ofereceu-me um órgão, e passado uns meses a concertina”, revela.

Do aleluia do órgão até à Rosinha na concertina foi um passo, dado primeiro para um rancho folclórico em Ponte da Barca, onde ficou com o “calo” das teclas. “Tirei a carta aos 18 e lá fui eu para o rancho de Vila Nova de Múia, em Ponte da Barca”, conta ao V, explicando, entre risos, que “gostava mais da música de lá porque as mulheres levantam a saia e batem os pés”.

Acabou ainda por participar de um grupo musical de Paredes de Coura, chamado “Primavera”, da Orquestra Norweste (Monção) e da banda “Flash”, de Braga, tendo dado aulas de concertina um pouco por todas as freguesias de Vila Verde. Mas recorda com carinho quando, em 2005, participou por entre os tocadores da Rosinha, na Festa das Colheitas, em Vila Verde, que bateu um recorde do Guiness [ultrapassado este ano por Ponte de Lima] de maior número de tocadores.

Mas nem só de concertinas vive Mara. Para além da música, Mara começou com uma loja de seguros em 2010, praticamente ao mesmo tempo que entrou para a banda Augusto Canário & Amigos, que a levou aos quatro cantos do país e do mundo. “Como empresária, já não tenho muito tempo para andar na banda. Neste momento, sinto-me mais desgastada, mas quando comecei, fui tudo do zero. Abri loja de seguros e abri recentemente uma loja de CTT”, conta, revelando que pode estar “para breve” o fecho das participações na “banda do Canário”.

“Não é fácil ocupar este estatuto, tanto a nível empresarial como artístico. Há quem goste e outros não gostam. Ganhámos e perdemos amigos. Mas devo dizer que me sinto orgulhosa pelo chão que piso. É preciso ter muita força”, desabafa Mara, explicando que vai buscar força “ao Santo António e à irmã”, de quem diz ser “a força do dia-a-dia”.

Sobre Vila Verde, Mara acha que há bons tocadores, numa terra com tradição e coisas bonitas. “Sempre fui apresentada na banda do Canário como a Mara de Vila Verde, mas a verdade é que por cá, não ligam muito a isso”, confessa. “No entanto, continuo a levar ofertas com motivos dos lenços dos namorados e tenho sempre orgulho de dizer que sou de Vila Verde”, acrescenta. “Mas já chega. A vida na estrada é muito cansativa, demos mais de 80 concertos por ano. São muitas horas na estrada”, termina, deixando uma frase emblemática. “Gosto de tudo um pouco, mas o que mais adoro é uma Cana Verde como só o Mourão sabe tocar”.

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