Dona Felisbela
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Dona Felisbela. Em Braga não há castanhas como as dela

Não há quem não passe na Praça de São Martinho, no coração do centro histórico da cidade, que não conheça as castanhas da Dona Felisbela.

Do alto dos 86 anos, vende castanhas há mais de 50, e não pensa em “pendurar” cartuchos.

Dona Felisbela é, aliás, uma atração virtual da cidade de Braga. “Há aí muita gente que me tira fotos e vai meter na internet e depois passam cá os turistas e dizem que já me conhecem”, diz entre risos e cartuchos.

“Comecei a vender castanhas com um fogareiro, que ainda o tenho lá em casa e ainda trabalha”, conta, explicando que, “para além de vender nesta rua, também vou a escolas e hipermercados quando me convidam para ir lá vender”.

Mãe de 11 filhos, só um é que decidiu acompanhar a mãe na venda ambulante. “O meu filho Luciano é o único que vende comigo. Os outros emigraram ou trabalham noutras coisas”; conta, tendo certeza que “vai sempre dar para viver”.

“Há muita gente que compra castanhas. Quando passam na rua eu começo logo a dizer que estas são as melhores de Braga e eles vêm cá todos comprar”, atira Felisbela, natural de Sequeira mas “a vida” feita em Cabreiros. “Se eu tivesse 20 braços, ia para todo o lado vender”, acrescenta a vendedora, que ainda se lembra de negociar em “coroas”.

“Mas nesse tempo não era castanhas, vendia pão de porta em porta em Cabreiros”, confessa, revelando que foi daí que ganhou o “jeito” para vender castanhas.

“Isto é preciso é ter jeito, tanto para as assar como para as vender”, diz Felisbela, enquanto chama mais uma “menina” para ver “a castanhinha tão boa”.

Luciano, filho inseparável das vendas, contou ao V que é “normal a mãe dar castanhas a toxicodependentes que vão passando cheios de fome”. E Felisbela confirma. “Sim, às vezes dou porque os vejo cheios de fome, e também dou às crianças quando vejo que a mãe só não compra porque não tem dinheiro”, revela. “Só não gosto é daqueles que enquanto esperam que eu encha o cartucho, comem logo umas três ou quatro e pensam que é de graça”; conta ainda.

De cartucho em cartucho, Felisbela recorda que é “a vendedora mais antiga daquela rua”. “Até as lojas, os que cá estavam quando para cá vim já foram todos embora e vieram outros, mas eu… fiquei”, finaliza.

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