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Ambiente. “Granadas de semente” para reflorestar área ardida em Braga

A cidade de Braga já está em reflorestação, graças às “granadas de semente” que têm vindo a ser utilizadas por crianças, em ações de reflorestação.

“Esperamos que as escolas e IPSS’s do concelho consigam ajudar a reflorestar através das milhares de granadas que queremos lançar nas próximas semanas”,  explica Altino Bessa, vereador do Ambiente da Câmara de Braga.

Ao Semanario V, o vereador indica que “esta é uma iniciativa que vai no quinto ano e que este ano tem um impacto significativo devido à ocorrência de grandes incêndios em zonas importantes do concelho”, aponta, classificando “os terrenos privados” como alvo do “bombardeamento”.

“Algumas das zonas ardidas são de propriedade privada por isso não podemos ir lá fazer a arborização normal”, explica o vereador, “mas esta técnica, inventada por um japonês, e que tentámos intensificar, tem resultado, uma vez que lançamos as granadas de argila sobre esses mesmos terrenos, sem termos que invadir propriedade privada”.

Para finalizar, Altino Bessa refere que espera que sejam lançadas “milhares” de granadas de semente durante os próximos dias 23 e 24, dias em que se comemora a Floresta a nível mundial. “Estamos a fazer aquilo que a natureza costuma fazer sozinha”, finaliza.

Crianças preparam “arsenal” nas escolas

A ação começa com oficinas para ensinar aos alunos como se fabrica este tipo de “arsenal” que foi inventado em Nova Iorque para dar “guerra” aos espaços degradados.

Na Escola EB 2, 3 de Gualtar, em Braga realizou-se na passada semana uma oficina de “granadas de semente” de uma planta autóctone (neste caso bolota de carvalho, sobreiro ou azinheira). A atividade resultou, como outras, de um desafio lançado pelo Município de Braga a escolas e outras instituições no sentido de contribuir para a reflorestação do concelho.

Nesta oficina são moldadas pequenas bolas resultantes de uma mistura de sementes com argila, terra, água e nutrientes suficientes para as árvores começarem a crescer. Depois de devidamente moldadas e secas, estas “granadas de semente” serão atiradas para os locais a reflorestar no concelho, aumentando a probabilidade de virem a crescer árvores folhosas nesses terrenos.

Após serem atiradas para os solos, as sementes germinam e as árvores iniciam o seu processo de desenvolvimento, estando sempre protegidas pelas folhas das leguminosas, que, como têm ciclo de vida curto, vão acabar por morrer, decompondo-se e dando alimento à nova árvore que se está a formar.

Nesta ação estiveram envolvidas 16 entidades (Escolas, IPSS`s e associações), no total de mais de mil pessoas, às quais se junta a Quinta Pedagógica de Braga. O objetivo é concretizar o lançamento de milhares de “granadas” nos terrenos afectados pelos incêndios. No final do mês, 25 de novembro, será feita uma actividade em que também a população em geral será desafiada a associar-se ao lançamento destas “granadas de semente”.

Na ocasião realizou-se também a cerimónia de hastear da Bandeira Verde naquele estabelecimento de ensino. Estas atividades inserem-se nos “Global Action Days”, uma iniciativa internacional que se realiza de 6 a 12 deste mês com o objetivo de dar a conhecer o trabalho desenvolvido pelas Eco-Escolas em prol do ambiente.

O que são as “granadas de semente”

As “granadas de sementes” são uma experiência de jardinagem peculiar. Surgiram em 1973, nos Estados Unidos, como um movimento de cidadãos para melhorar os espaços públicos abandonados.

Estas “bombas” baseiam-se nas bolas de sementes antigas que eram utilizadas para semear culturas em locais com vegetação densa ou difíceis de alcançar e eram originalmente feitas com composto e argila.

O termo “granada de sementes” foi usado pela primeira vez em 1973 por Liz Christy, quando iniciou a “Guerrilla Gardening” nos Estados Unidos, movimento que pretende combater a degradação dos espaços públicos urbanos.

As primeiras “granadas de sementes” foram feitas a partir de balões e bugigangas antigas de Natal e foram atiradas para lotes vazios em Nova Iorque de forma a melhorar a aparência dos bairros. Foi o início deste movimento que é seguido atualmente por um grande número de grupos e cidadãos por todo o mundo.

Richard Taylor, do movimento Guerrilla Gardening do Reino Unido, explica como estas bombas de sementes podem ser feitas em casa.

Devido ao sucesso da iniciativa, uma empresa do Reino Unido (Kabloom) tornou esta ideia num negócio. Esta empresa produz as bombas de sementes à mão, a partir de materiais reciclados como papel e caixas de ovos. Para além destes materiais contém composto, fertilizantes orgânicos e uma seleção de sementes. Estas “granadas” degradam-se ao longo do tempo possibilitando o crescimento das flores.

Palmeira já marcou estreia na “guerrilha”

Apesar de estar marcada para o dia 25 de novembro, a “guerrilha” contra os espaços ardidos já começou, através dos alunos do terceiro e quarto ano da Escola Básica do Coucinheiro, na freguesia de Palmeira, que, juntamente com os meninos do jardim-de-infância, lançaram granadas de sementes na área ardida mais próxima à freguesia. Segundo a direção da escola, a iniciativa visa “incutir desde cedo nas crianças o gosto, o respeito e a paixão pela natureza”.

“Esta atividade tem como finalidade incutir nas crianças a necessidade de cooperarem de uma forma solidária no sentido de regenerar e reflorestar as zonas que foram danificadas pelos últimos incêndios”, explicou Maria Cruz, coordenadora da escola do Coucinheiro.

“Achámos que era importante que as crianças pudessem ter um conhecimento, no local, do efeito devastador dos últimos incêndios e de, por outro lado, sentirem a necessidade de cooperarem com o propósito de regenerar a floresta que também é deles”, disse a professora.

Ainda longe das milhares de granadas pretendidas, a verdade é que alguns dos espaços ardidos começam agora a ganhar nova vida.

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