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Mara Alves Opinião

Opinião de Mara Alves. “A culpa é sempre dos outros”

O Estado esse, seja nos incêndios, seja na legionella, seja na insegurança, nunca tem culpas, a culpa é sempre dos outros.

É cada vez mais sufocante a dimensão que ganham os acontecimentos neste país. Sobretudo empurrados pela indignação das redes sociais que precipitam, muitas vezes, o exagero de algumas realidades.

Podia falar da Web Summit, um evento tecnológico desta envergadura que reforça a cultura empreendedora em Portugal, designadamente entre as novas gerações. A exposição pública das tecnologias e o contacto das Startups portuguesas com investidores internacionais, que pode ser o primeiro e determinante passo para a alavancagem de uma empresa, levando-a ao mercado global.  Podia falar da insegurança que lavra à noite nas discotecas da capital. Podia até falar dos ataques sistemáticos que os polícias portugueses são alvo diariamente. Podia. Mas sobre isto tudo os media secaram até à última gota.

Apetece-me antes falar do surto de legionella no hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

É lamentável que se interrompam velórios de vítimas para recolher corpos para autópsia. Autoridades, de saúde e judiciais, falharam em toda a linha. Não estamos a falar de um erro processual, burocrático ou administrativo. Falamos de um erro que agudiza ainda mais o sofrimento das pessoas. E isto é imperdoável. Tal como condenável a reação do ministro que simplesmente lamentou o “incómodo e perturbação” causado às famílias das vítimas.

O Governo não responde, enquanto representante do Estado, o que voltou a falhar? Por que razão depois do que aconteceu em Vila Franca de Xira, em 2014, isto voltou a acontecer?

Todos sabemos, que desde 2013, não há auditorias obrigatórias à qualidade do ar interior em edifícios e os meios de fiscalização são poupados. O Estado devia saber que o aviso foi dado há 3 anos. De lá para cá o que aprendemos? Nada. O Estado continua a agir sempre do mesmo modo, como se nada tivesse acontecido.

Portugal é basicamente isto: quando acontecem as tragédias há anúncios ocos em que apenas se fazem discursos do ponto de vista punitivo. Nunca se age, nunca se atua, efetivamente, do ponto de vista preventivo de forma a resolver o problema. O Estado esse, só serve ultimamente como um implacável cobrador de impostos, as restantes funções não são da sua responsabilidade.

É por tudo isto que este país é visto, tantas vezes, como um país atrasado. E somos fruto, em muitas coisas, da incompetência de quem nos governa.

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