Guardião da Sé
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António Gonçalves. O guardião das portas da Sé de Braga

António de Jesus Gonçalves é membro da Guarda de Honra da Sé Catedral de Braga e é também o guardião encarregue de orientar os visitantes às portas da Sé. Passa por António a definição de turista ou crente, encaminhando quem deseja fazer uma visita ou simplesmente rezar a um dos santos.

De pé, nas portas do fundo da Sé Catedral, António faz plantão desde o iní- cio da tarde até ao raiar do sol. Por lá, passam milhares de visitantes, que cumprimentam António e lhe pedem indicações. “Estou neste trabalho a tempo inteiro desde 2014, e de lá para cá, não falhei um único dia”, conta António ao V, sem se importar de não ter tido um dia de folga desde que foi nomeado “guardião” das portas da Sé de Braga.

“Eu gosto mesmo disto. E de trabalhar”; aponta o antigo controlador de qualidade natural de Terras de Bouro. E trabalho foi algo que o acompanhou toda a vida. Aos 12 anos, e já a viver em Braga, onde, aliás, morou toda a vida depois de “fugir” de Terras de Bouro com poucos meses, começou a trabalhar. “Comecei muito novo numa empresa onde o trabalho era limar”, conta, explicando que “era muito novo mas já mexia naquelas máquinas e lâminas todas”. “Foi uma infância de trabalho”, acrescenta António, que depois disso passou por uma empresa de metalomecânica onde foi controlador de qualidade.

“Trabalhei numa fábrica mas não gostava muito daquilo. Havia demasiada gente a chatear-me a cabeça e acabei por sair”, explica, aludindo que “em 2008, pedi ao Deão a ver se conseguia trabalho para mim e ele colocou-me aqui”. “Os santos não me lixam a cabeça”, conta, entre risos, mostrando-se satisfeito com o atual trabalho. “Também gosto de fazer de guarda de honra, quando há cerimónias, mas o meu trabalho é este, guardar as portas da Sé”, vaticina, com orgulho.

Aos turistas, dá-lhes “50 minutos” para fazer a visita completa à Sé. E aos crentes, “uns minutinhos para rezarem ao santo devoto ou para acenderem uma velinha”. “Há muita gente que é aqui de Braga e que só vem cá rezar, e a esses não posso estar a cobrar taxa (2 euros) de entrada”, conta, revelando que “um problema” é quando os turistas se fazem passar por locais.

“Uma vez tive um senhor que me disse que era de Braga e só vinha rezar, mas vinha acompanhado de várias pessoas e quando entrou começaram todos a tirar fotografias”, conta, explicando que “vieram logo chamar-me a atenção por ter deixado entrar sem cobrar”. Dessa situação, António não quer falar muito, mas acabou por envolver a PSP e um Cónego, a tentar dissuadir o “falso turista” de tirar fotografias e de pagar a entrada.

Entre turistas e crentes, uns mais compreensivos e outros menos cuidadosos, António vai continuar a guardar as portas da Sé enquanto tudo se conjugar nesse sentido, mesmo que implique trabalhar todos os dias, e apanhar “secas” monumentais quando há pouca gente a visitar. “Quando não vem gente fico aqui, a olhar para o ontem”, diz, entre desabafo. “Mas sempre me entretenho a mudar umas carpetes e a varrer as beatas do chão da rua em frente”, revela. Sempre, com olhar atento na porta e se quem chega é “crente ou turista”.

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