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Artur Caldeira. “Em Braga confunde-se amiúde cultura com entretenimento”

Artur Caldeira, conhecido guitarrista clássico português, nasceu há 52 anos na freguesia de São José de São Lázaro, na cidade de Braga e, depois de um longo percurso pelo mundo da música, é hoje reconhecido por ter já musicado os maiores nomes do panorama musical português, como Mariza, Camané ou Rui Veloso.

Ao Semanário V, o também professor revelou um pouco do “caminho” que teve de percorrer para chegar ao reconhecimento internacional que hoje granjeia.

“O gosto pela música foi-me incutido por meu pai, também Artur Caldeira”, revela. “Era um melómano que adorava a etnografia, músico amador na sua juventude e animador cultural”, aponta ainda Artur, revelando que foi do pai que veio “o gosto pela Música Tradicional e pelo Fado”. “A partir destes e da experiência nas bandas de animação (vulgo grupos de baile) fui acompanhando alguns artistas e constatando a necessidade de mais aprendizagem musical, mais conhecimento”, revela ainda.

Artur Caldeira passou então a estudar no Conservatório Regional de Guimarães, passando depois para o Calouste Gulbenkian, em Braga, onde conheceu o Prof. José Pina. “Este veio a ser o grande pilar da minha formação musical e guitarrística, sobretudo na Música Erudita”, revela Artur Caldeira, que depois conclui, na ESMAE-IPP, o bacharelato, a licenciatura e o mestrado em interpretação artística, tendo recebido o título de especialista em música através de provas públicas.

“Toquei para mestres como Alberto Ponce, David Russell, Dusan Bogdanovic, Celso Machado, Ricardo Moyano, Jorge Oraison…”, revela, explicando que, depois de concluir a formação, foi professor do ensino artístico em escolas preparatórias de Amares, Vila Verde e Arcos de Valdevez, passando ainda pelo Conservatório de Música do Porto.

Atualmente e desde 2009 lecciona na ESMAE-IPP nos cursos de Licenciatura e Mestrado em Música -Instrumento – Guitarra.

Sobre a escolha de instrumento, Artur Caldeira confessa que se iniciou no cavaquinho, passando depois pela viola, onde “desenvolveu os conhecimentos até chegar à guitarra clássica”, que, segundo o professor, o nome não se aplica apenas ao instrumento, mas também à sua escola e ao seu repertório. Viola braguesa, guitarra eléctrica, baixo acústico e elétrico e sobretudo, nos últimos anos, a guitarra portuguesa, são os outros instrumentos que Artur Caldeira aprendeu a “dominar”, mas sem esconder que a guitarra é “obviamente” o instrumento de eleição, seja na variante clássica, popular ou mesmo na “viola de fado”.

Com a larga maioria das apresentações feita no âmbito da guitarra clássica, quer em festivais da especialidade quer em recitais “avulso” em teatros e auditórios, incluindo a música de câmara, Artur Caldeira revela que o fado “ocupa igualmente uma razoável fatia” dos concertos em que participa,

“Fui músico convidado na cerimónia de apresentação das Sete Maravilhas, acompanhando Mariza, Camané, Carlos do Carmo e Rui Veloso, bem como no filme Fados do realizador espanhol Carlos Saura, ao lado de Mariza e do guitarrista Paulo Soares”, revela o professor bracarense, que atualmente tem “na estrada” o concerto “Clarinete em Fado”, com Daniel Paredes e o conceituado clarinetista Maestro António Saiote.  Artur Caldeira integra também o elenco de músicos na “Vox Angelis”, sediada em Lisboa.

No âmbito da música ligeira, trabalhou com Carlos Mendes, Fernando Tordo, Mafalda Veiga e, no Fado, João Braga, Kátia Guerreiro ou Ana Moura são outros dos nomes acompanhados por Artur Caldeira.

“Toquei praticamente em todo o continente português, na Madeira e em várias ilhas açoreanas e também em Espanha, França, Suíça, Itália, Dinamarca, Turquia, Marrocos e Moçambique”, revela ainda, explicando que sempre que lhe perguntam a profissão, responde “sou Músico”, para logo lhe dizerem “não é isso, qual é mesmo o seu trabalho?!”.

Já no que toca à cidade de Braga, e em termos culturais, Artur Caldeira classifica-a como “algo estranha”. “Braga é a minha cidade natal. É algo estranha no que respeita às actividades culturais, onde se confunde amiúde cultura com entretenimento”, revela, explicando que “os dois são necessários, mas o segundo não pode substituir a primeira, sobretudo com os recursos desta”.

Mas o professor confessa que “tem havido bastante atividade musical”, e que a guitarra clássica é um instrumento em alta nos dias de hoje, cada vez mais procurado e cada vez com mais jovens talentos a sobressaírem”. “Há apenas que ter o cuidado de o respeitar e não o banalizar em demasia”, alude.

Em Braga, sente-se “apoiado” pela população mas não pela cidade em si. “Em Braga, no que diz respeito a apoio, nunca o tive…”, revela, confessando que tem apoio de várias autarquias por onde vai atuando pelo país.

“Tenho recebido fortes elogios de quem assiste às minhas prestações, quer ao vivo quer em gravações. Tenho algumas centenas de seguidores fiéis nas plataformas digitais e sei ter admiradores na minha cidade. Tenho também recebido algumas críticas menos amigáveis, mas de pessoas, sobretudo bracarenses, que não têm a mínima ideia do meu percurso ao longo destes 35 anos de trabalho”, confessa, revelando que para o futuro tem agendado um concerto no Teatro São Luís, em Lisboa, como convidado de Maria Ana Bobone, para breve.

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