Foto: Carlos Pontes
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Fotografia. Carlos Pontes apanha momento raro de lobos na neve do Gerês

O fotógrafo Carlos Pontes, habitual colaborador da National Geographic, captou em imagens uma alcateia de lobo-ibérico que se deslocava ao longo do Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), no passado mês de dezembro.

É já prática habitual para Carlos Pontes documentar a vida de lobos naquele parque, mas este registo tem um sabor especial para o fotógrafo, que aponta os “graus negativos, neve, gelo e nevoeiro intenso” como soma à dificuldade que o próprio lobo tem nesta época.

“Os dias de inverno com lobos são para mim os mais dificeis na fotografia de natureza na Península Ibérica”, refere, repescando uma citação de Félix Rodrigues de la Fuente: “nunca se sabe de onde vem nem para onde vai”, referindo-se ao lobo.

Carlos Pontes explica que, no inverno, “a escassez faz com que o lobo não pare percorrendo todo seu território em busca de alimento, podendo estar em qualquer lado, torna se quase impossível ter um seguimento de trabalho para obter bons registos”.

O fotógrafo seguiu movimentos de um grupo durante vários dias, sabendo que “estava quase sempre perto”, mas “ou o nevoeiro não deixava ver ou saiam e entravam de noite já sem luz”. Foram dias onde não houve qualquer registo e o frio tornou-se cada vez mais presente, até que… veio a neve.

“Chegava a neve e a altura de tentar fazer imagens com que sempre sonhei, das várias vezes que vi lobos com neve nunca consegui um único registo”, refere Carlos Pontes.

“Depois dos primeiros dias de tempestade e ventos fortes, a neve ia caindo suavemente mas o intenso nevoeiro não dava tréguas, mais um dia frustrante, pensava eu enquanto tomava o pequeno-almoço, sem fazer ideia do que se iria suceder”, conta, revelando que “quando já tinham passado alguns membros da alcateia por mim ainda no lusco-fusco, sabia que faltavam passar outros tantos e havia probabilidade de virem mais atrasados”.

Carlos Pontes refere que estava a “abrir um termo” quando, “sem que nada desse alerta e como um fantasma, do nevoeiro surge uma silhueta a apenas 30 metros, um [lobo] juvenil ainda a ganhar corpo”.

“Olhava para trás onde a escassos metros vinha o restante grupo, enormes, com o pelo incrível, imponentes, e com uma diferença muito notável ao pé deste juvenil, deram me oportunidades de um momento que já há muito sonhava ter”, refere.

“Algum tempo mais tarde estava provavelmente com a mesma sensação que tive quando fotografei cara cara um lobo pela primeira vez, momentos que nunca esquecerei, juntar neve e lobos com a imponente forma e pelo de inverno para mim sempre foi a imagem que melhor retrata o animal”, diz Carlos Pontes.

“Provavelmente de todos que vi neste dia era o menos bonito e o enquadramento não retrata o melhor aspecto, mas sim, por ser um juvenil que para além do excelente sinal que é, me dá imensa felicidade ver bem e saudável”, refere o autor do registo fotográfico.

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