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Cultura. Chile de Salvador Allende pela lente de Armindo Cardoso, em Braga

Imagens do Chile, durante o Governo de Unidade Popular, captadas pelo fotógrafo português Armindo Cardoso, que viveu no país até ao golpe militar de 1973, compõem a exposição “Memória Resgatada”, a inaugurar sexta-feira, no Museu da Imagem, em Braga.

As fotografias datam do período 1970-1973, testemunham os acontecimentos do país durante a presidência de Salvador Allende, estiveram escondidas, quando foi imposta a ditadura militar, foram resgatadas e entregues ao seu autor, entretanto refugiado em Paris, e fazem atualmente parte do acervo da Biblioteca Nacional do Chile, que as adquiriu, pelo “seu alto valor histórico”, tendo sido classificadas como “património cultural nacional”.

A coleção, de acordo com a Biblioteca Nacional do Chile, cobre os principais acontecimentos da época do Governo de Unidade Popular (1970-1973), manifestações de apoio a Salvador Allende, atos de violência nas ruas e marchas da oposição, retratos de políticos, artistas e intelectuais, paisagens chilenas, arte de rua e muralismo nas ruas de Santiago, registos inéditos de comunidades Mapuches e da vida quotidiana, “refletindo lucidamente uma época” e “a vida dos chilenos nesses três anos intensos e únicos” no país.

Nascido no Porto, em 1943, Armindo Cardoso exilou-se em França, em 1965. “Sem documentos, fui para Paris, onde iniciei a minha formação como fotógrafo”, encorajado por um amigo, o atual diretor internacional de fotografia Eduardo Serra, como recordou para a apresentação da mostra “Heróis, povo e paisagem chilena”, que esteve patente no ano passado, no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, em Lisboa, no âmbito da iniciativa Capital Iberoamericana da Cultura.

“Comprei uma Laika em segunda mão e comecei a fotografar as ruas da cidade. Acabei por montar o meu próprio laboratório na casa de banho”, disse o fotógrafo, citado pela apresentação da mostra do museu lisboeta.

Armindo Cardoso chegou ao Chile em 1969, trabalhou na Universidad de Concepción, colaborou com a revista Atenea, a editorial Quimantú e fez parte da equipa fundadora do semanário Chile Hoy. Em setembro de 1973, com o golpe militar que impôs a ditadura, o jornal foi destruído e Armindo Cardoso refugiou-se na Embaixada da Venezuela.

“Ainda consegui enterrar duas caixas de negativos num jardim de uma casa de pessoas conhecidas, em Santiago, e refugiei-me na embaixada da Venezuela”, relembrou. “Estive lá três meses, até o governo francês me dar asilo político”.

Os negativos foram depois recuperados pelo adido cultural de França, no Chile, e levados para Paris em 1974.

O acervo fotográfico soma mais de 4000 negativos a preto e branco e é sobre ele que são montadas as exposições, que têm percorrido o país.

Em Portugal, além do Museu Arpad Szénes – Vieira da Silva, em Lisboa, a obra de Armindo Cardoso esteve também patente, nos últimos anos, em diferentes exposições, como “Memória Resgatada”, “Olhos da Memória” e “Índios Mapuches”, na Fundação José Saramago, no Fórum Municipal de Castro Verde, e no Solar dos Zagallos, em Sobreda, entre outros locais.

No Chile, expôs recentemente no Museu Gabriela Mistral e no Museu Histórico La serena.

A Biblioteca Nacional do Chile, após a aquisição do acervo chileno ao fotógrafo português, montou a exposição “Un otro sentimiento del tiempo. Chile, 1970-1973”, promovendo a sua edição em catálogo e disponibilizando-o através do endereço www.bibliotecanacionaldigital.cl.

A mostra “Memória Resgatada — Armindo Cardoso, Chile 1970-73” vai ficar no Museu da Imagem de Braga até 25 de fevereiro. No sábado, pelas 15:00, haverá um encontro com o fotógrafo.

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