Semanário V
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Destaque Vila Verde

Vidas. Há o Mouzinho de Albuquerque. E há o Mousinho de Prado

António Silva herdou o nome de um dos maiores estrategas militares portugueses, devido à fisionomia e à própria História de Portugal. Mas já lá vamos. “Mousinho” é uma das figuras mais carismáticas da Vila de Prado, e o grande impulsionador do “primeiro mergulho no Cávado”, que esteve na ordem do dia no passado fim-de-semana. Este assistente técnico do Ministério da Educação tenta a todo o custo “puxar” a dinâmica do rio Cávado, da Praia Fluvial do Faial e da própria vila pradense. E não olha a esforços para isso.

Em conversa com o Semanário V, “Mousinho”, como é conhecido, revela que herdou o nome do tempos do banco de escola, quando tinha onze anos. “Nasci em Matosinhos, em Guifões, mas a minha mãe é de Barcelos e fomos para lá morar quando eu tinha onze anos”, conta. No liceu, e por ser o “novato”, arranjaram-lhe a alcunha que ainda hoje prevalece.

“És grande, pareces o Mouzinho de Albuquerque”, disseram os colegas, comparando o pequeno (mas já grande) António à figura do militar ilustrado nos livros de História de Portugal.

“Sou Mousinho com ‘s’ mas também pode ser com ‘z’. Não há forma correta de escrever porque nem sequer é mesmo o meu nome, por isso escrevo como quero”, conta, explicando ainda quando “conquistou” o coração de uma pradense. “Vim para Prado jogar futebol, no ano em que o clube subiu à segunda nacional. Depois acabei por casar por cá e fiquei cá a morar”, explica.

Mousinho com Tuck, nas instalações do GD Prado (2011)
Mousinho com Tuck, nas instalações do GD Prado (2011)

No GD Prado, fez quase toda a carreira, terminando com 35 anos. Pelo meio, jogou no Aves duas épocas ao mais alto nível, não falhando nenhum minuto. “Era um bom central”, admite, embora sem “enbandeirar em arco”. Quando se retirou, ficou como formador do clube pradense onde ficou alguns anos até sair. “Diziam que eu era ditador então armei-me em ditador, esperei um ano, e fui para coordenador de futebol do Vilaverdense”, conta. “Há rivalidade mas em Prado há mais bairrismo. No Vila Verde, tirando um ou outro jogo, há pouca gente a ver. Não há tanto interesse”, conta.

Mas nem só o futebol marcou o percurso de vida de “Mousinho”. Começou a dar os primeiros passos no Ministério da Educação num… infantário. “Quando cheguei lá, haviam duas funcionárias e ficaram a olhar para a minha fisionomia e acharam que eu não ia dar conta do recado. No entanto as crianças adoravam-me. Ainda hoje, na escola onde trabalho, tenho uma criança desse tempo que hoje é professor e quando me reconheceu não coube em si de contente”, aponta.

Também ligado a movimentos que limpam os rios no concelho de Vila Verde, António Silva tem reunido com responsáveis da Quercus no sentido de “oficializar” a limpeza de ribeiros. “É algo que está a ser estudado e brevemente terei novidades”, refere.

Mousinho ajuda a limpar a Ribeira de Febros
Mousinho ajuda a limpar a Ribeira de Febros

“Mousinho” tem atingido o “pico” de fama com a ideia do primeiro mergulho do ano

“O mergulho iniciou-se em 2015. Depois de fechar a época balnear comecei a ir todos os dias ao rio. Comecei a chamar outros e dizia para irmos dar um mergulho e as pessoas aderiram”, explica, revelando que o “mais importante” é dar visibilidade à praia de forma positiva, porque “de negativa já tem que chegue”

“Andam a gastar milhões com o aquecimento global, mas nada muda. Todos se importam mas ninguém faz nada. A AGERE continua a ter as ETARS a mandar para o rio e no final do ano há prémios para os diretores”, refere, explicando que “é aí que tem de se fazer tratamento para evitar salmonellas”.

Até ver esse problema resolvido, “Mousinho” continuará a “passar o verão no rio”. “Ajudo no que posso. As pessoas já me conhecem, vão conversando e todos os anos vêm ter comigo para uma conversa”, alude. “Por causa do mergulho do ano até me dizem que me conhecem da televisão”, conta, entre risos. “Mas não ponha isso no texto, parece mal”, pede um envergonhado “Mousinho”.

Mousinho comanda as hostes no primeiro mergulho do ano / Luís Ribeiro
Mousinho comanda as hostes no primeiro mergulho do ano / Luís Ribeiro

Sobre o mergulho, “Mousinho” está “contente que as pessoas aparecem para mergulhar e para ver”. “Gosto mas não me sinto mais do que ninguém ao organizar isto”, finaliza. “O importante é arrancarmos com isto no inverno para o verão correr bem”.

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