Mara Alves
Mara Alves Opinião

Opinião. “Financiamento dos partidos”

Sou da opinião que o financiamento dos partidos, para além das quotas dos militantes e donativos de simpatizantes, não deve ser feito por empresas. Porque todos sabemos que não existem almoços grátis ou bilhetes para o futebol grátis…. A fatura da democracia é mais alta, mas a ditadura, sendo mais barata, custa a liberdade e a honra de um povo.

Quem viveu numa ditadura, com censura, prisões sem culpa, violações de correspondência, torturas, e guerra colonial, tem por obrigação ser mais sensível ao esforço coletivo para a defesa e manutenção dos partidos, de cuja existência e competição depende o funcionamento normal de uma democracia. Mas o que está aqui em causa não é o financiamento dos partidos, mas sim a forma desastrosa como estes, procuraram resolver os seus problemas financeiros, trouxe a oportunidade de se discutir o financiamento partidário.

Em primeiro lugar, todos podemos questionar se deve existir financiamento partidário, o que nos leva à identificação das despesas que estes têm. Não havendo democracia sem partidos políticos e tendo estes um custo associado, torna-se claro que o financiamento partidário é uma necessidade. E que natureza deve este ter? Deverá ser exclusivamente privado, exclusivamente público ou um misto de ambos? Até que ponto um particular ou uma organização não irá pagar uma campanha eleitoral, ou parte dela, para depois cobrar esse financiamento em negócios ruinosos para o Estado? Exemplos não faltam. A potencial corrupção devido ao financiamento privado é só um dos problemas desta forma de pagar a despesa dos partidos. Outro problema que traz o financiamento partidário privado é a dificuldade que novos partidos terão em se conseguirem financiar.

Financiar os partidos exclusivamente a partir do erário público também é um custo, no entanto não é um catalisador dos problemas que caracterizam o financiamento privado. Por isso, a solução para o problema do financiamento partidário deve passar por o tornar exclusivamente público. Basta definir um valor que se considere aceitável e distribuí-lo pelos partidos em função do número de votos que conseguiram. Simples, não é? Só tem um problema. É preciso que os partidos estejam dispostos a abdicarem do jogo dos negócios políticos.

Por fim, dar os parabéns ao recente eleito Presidente do meu partido, e pegando na frase “O PSD não foi fundado para ser um clube de amigos, nem pensado para ser
um clube de interesses individuais ou de grupo”. representa, mais coisa menos coisa, aquilo que caracteriza Rui Rio. Veremos até se os tais “amigos” de que fala não virão pelas suas mãos na futura composição da Comissão Política. Veremos se será capaz de entregar o partido aos melhores, expurgando as “más moedas”.Santana mostrou que mantém algumas qualidades que fazem dele um político sui generis na vida política nacional. É emocional, domina a retórica política como ninguém e consegue animar aqueles que o rodeiam. Seja como for, a coragem de Santana, que se agarra às corridas eleitorais de corpo e alma, sem pensar nas consequências, é algo que faz falta a muitos políticos em Portugal.

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Licenciada em Administração Pública

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