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Cabanelas. Na eletricidade ou no associativismo, Nuno Queirós é quem liga a corrente

Nascido no lugar do Monte, em Cabanelas, há 36 anos, Nuno Queirós, presidente do rancho folclórico daquela freguesia, é hoje uma das figuras, se não a mais reconhecida de Cabanelas. E vem do berço. De criança, lembra-se dos sermões da Dona Teresa, quando lhe destruía as copas de palha, das fugas para o rio Cávado no verão ou de “partir tudo o que estivesse à frente”.

“Eu era uma criança muito travessa. Quando vinha do infantário com outros colegas, só tínhamos que descer uma rua, mas todos os dias lá ia eu deitar abaixo as copas de palha de uma vizinha”, conta, assegurando que a Dona Teresa “já perdoou tudo”.

De criança, Queirós fez-se jovem, sempre em Cabanelas. E há um recorde que ninguém lhe tira. “Fui eu o autor do primeiro golo de sempre das camadas jovens do Cabanelas”, diz o antigo ala-direito que só não passou ao lado de uma grande carreira porque “não tinha grande jeito para a bola”. “Ou então até tinha, mas os outros eram melhores”, diz com sorrisos.

Com a bola, vieram os escuteiros, as missas, até ao rancho. “Nos escuteiros estive seis anos mas acabei por sair e nunca mais voltei”, refere, explicando que “gostava porque na altura era moda e era bom para o convívio”. E foi mesmo esse convívio que sempre atraiu Nuno Queirós.

Acólito, ajudante de missa, presidente de compasso pascal e presidente do rancho da freguesia, passando ainda pela secretaria da junta, Nuno Queirós é um autêntico “Professor Marcelo” em Cabanelas, envolvendo-se em tudo o que pode na comunidade.

“Não é que eu goste tanto do que se faz, é mais pelo associativismo e sobretudo pelo amor à terra”, refere, dando o exemplo do rancho. “Sou presidente do Rancho Folclórico Santa Eulália de Cabanelas há uma década, mas não sou grande amante do folclore”, revela. “A paixão não é pelo folclore em si, mas sim pelo movimento associativo. Envolvi-me, gostei e quis melhorar a associação. Acabei por criar paixão por querer mais para o grupo e para a freguesia”, explica.

Cabanelas

Assumidamente militante socialista, Queirós também se envolveu na política, após convite do presidente da junta, António Esquível. Secretário durante o mandato que terminou em 2017, Queirós acabou por se afastar por “falta de tempo”. E não está nos planos um regresso. Mas ainda se recorda porque entrou nessas lides. “Esquivel lançou o desafio e eu aceitei porque tinha intuito de fazer mais e melhor pela minha terra que é a minha grande paixão”, conta, admitindo no entanto que “o bichinho ficou”.

Finda a política, Queirós envolve-se agora nos cavaquinhos e… nos tiros.

“Formámos um grupo de cavaquinhos no rancho folclórico para formar tocadores de cordas”, conta, explicando que “entretanto começaram todos a aprender”. “Em meio ano já fizemos quase uma dezena de atuações”, diz o aluno disciplinado daquele instrumento tradicional.

cavaquinhos de Cabanelas (2)

“É uma boa experiência aprender no cavaquinho, acho que já me vou desenrascando. Quando entrei para o rancho não dançava, tocava reco, e agora toco cavaquinho”, diz, classificando o grupo como “muito motivado”.

E é esse um dos truques para a vida plena de Queirós. “Tenho bastante força de vontade, sei que nem tudo é uma maravilha mas tento sempre arranjar a melhor solução”, diz, explicando que “por ser uma pessoa de fácil trato, as pessoas pedem-me coisas”.

“Costumo dizer que quanta mais gente conhecemos, mais hipóteses temos de ter uma vida boa, com amigos que estão sempre lá para nos valer”, diz.

Outra das paixões recentes é o tiro. “Participei na última prova da sociedade de tiro e apaixonei-me. Ficámos cada vez com mais vontade de disparar mais. Mas é em alvos, porque em animais não era capaz, nunca gostei de caça”, diz.

Sempre “a mil”, este eletrecista de uma empresa da Ucha sempre teve paixão pela eletricidade… e por ler. “Gosto de ler, e gosto de ver futebol. Quando posso vou ver jogos ao Braga mas sou benfiquista”, conta o adepto vermelho que… nunca foi à Luz.

“A Vânia [namorada] é do FC Porto e nunca a consegui convencer a lá ir comigo”, refere. Quanto à eletricidade… “É uma arte e um gosto que tenho”, aponta, revelando que “fiz uma formação em vendas mas há 18 anos que trabalho na Ucha, neste ramo”, finaliza, encontrando um paralelismo entre o rancho e a profissão. “Tanto num como outro vamos para todo o lado, até para cascos de rolha, e assim fico a conhecer vários pontos do país e da europa”.

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