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Nanomedicina. Avanço no tratamento de doenças oncológicas debatido em Braga

A nanotecnologia vai ter um papel fundamental na resolução de muitos problemas que ainda dificultam o diagnóstico e o tratamento de doenças oncológicas. A conclusão foi dos intervenientes que animaram ontem (2 de fevereiro) a quinta edição do Nano World Cancer Day. O evento decorreu no INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga, onde várias equipas de cientistas dedicam a sua investigação à melhoria dos meios de detecção e tratamento de doenças cancerígenas.

Lars Montelius, Diretor Geral do INL sublinhou, na sessão de abertura do evento, a morosidade que caracteriza a introdução de novos fármacos e tecnologias no mercado. “A investigação em curso no INL pode dar um contributo importante para fazer chegar a inovação ao doente mais depressa”, afirmou.

Lúcio Lara Santos, professor de oncologia cirúrgica do Instituto Português de Oncologia (IPO) reconheceu a utilidade da nanotecnologia no incremento da precisão e da rapidez na detecção de células cancerígenas.
Com uma equipa de cientistas do INL, o oncologista e a sua equipa no IPO estão a participar no desenvolvimento de um dispositivo para capturar células cancerígenas circulantes no sangue, para melhor as estudar e caracterizar. O projeto deu origem a uma spin-off do INL. “O sistema da RUBYnanomed baseia-se no estudo de células cancerígenas através de biópsia líquida. Isto permite diagnosticar cancro metastático mais precocemente que os métodos tradicionais baseados na imagem, e também de uma forma minimamente invasiva, quando comparada com a biopsia de tecido que requer em muitas ocasiões intervenção cirúrgica”, esclareceu Lorena Dieguez, fundadora da spin off RUBYnanomed e investigadora do INL.
A biopsia líquida permite também obter informação personalizada sobre o tumor para desenhar um tratamento ajustado a cada doente.

Na sua intervenção, Lara Santos, que representou a visão do médico no debate que juntou mais de 150 pessoas na assistência, realçou também o papel da nanotecnologia na redução da toxicidade de alguns fármacos usados no tratamento do cancro.

Não obstante a grande evolução que se está a verificar na detecção e tratamento do cancro devido à nanomedicina, o oncologista mostrou-se angustiado com a presença de alguns fatores de risco nas estatísticas ano após ano. Lara Santos lamentou a prevalência de doenças associadas ao tabagismo “que poderiam ser evitadas com a mudança de hábitos”, do cancro do colo do útero, que “pode ser evitado com a vacinação” e do cancro do cólon, que tem elevadas hipóteses de cura quando detectado precocemente. “É preciso apostar no rastreio” defendeu, sem deixar dúvidas quando à redução dos custos que o incremento dos rastreios traria para o Serviço Nacional de Saúde. “A detecção precoce sai mais barato”.

Lúcio Lara Santos realçou também as melhorias registadas na comunicação entre os diferentes estabelecimentos saúde que permitem hoje ao médico verificar todo o historial clínico do doente.

Os custos da Saúde estiveram também no centro da intervenção de Luís Soares, da Health Cluster Portugal, que defendeu o introdução de inovação como principal via para reduzir os custos na saúde e aumentar a efectividade dos trabamentos, e em particular do tratamento do cancro.

O diretor de estratégia da HCP realçou a “grande capacidade instalada em Portugal” para a inovação em saúde: “A área da saúde é responsável por 30% das publicações científicas”. Quando se abarca as ciências da vida, a percentagem ultrapassa os 40%.

O caminho para reduzir os custos da inovação que ameaça a sustentabilidade do Serviço Nacional de saúde passa pela aposta na inovação aberta que leva a incrementos na produtividade.

A inovação realizada em colaboração reveste-se de grande importância dado que o aumento no investimento em I&D na Saúde, não tem sido acompanhado pelo crescimento do número de produtos inovadores introduzidos no mercado. “Leva entre 10 a 15 anos para introduzir o medicamento no mercado. A inovação é muito cara. A inovação aberta pode ser a resposta para ultrapassar este problema, dado que triplica a probabilidade de um produto chegar ao mercado,” sublinhou Luís Soares.

João Magalhães, diretor de Operações da Oncostats, uma empresa dedicada à sistematização e estruturação de dados clínicos, defendeu a estruturação de dados clínicos em oncologia para poder fornecer evidências do mundo real aos hospitais e aos profissionais de saúde, para ajudar a combater a “insustentabilidade” do SNS que segundo aquele responsável se deve ao custo dos medicamentos do cancro.

A disponibilidade destes dados ajudará a melhor escolha de fármacos e de terapias eficientes para benefício dos doentes oncológicos, que poderão assim receber o tratamento mais adequado para o seu caso particular.
“A transparência na avaliação dos fármacos e na partilha de risco vão melhorar os cuidados médicos e a gestão dos recursos”, reiterou João Magalhães.

Abi Vázquez, estudante de doutoramento no grupo de Nano-Oncologia do Instituto de Inovação em Saúde de Santiago de Compostela (IDIS) liderado por María de la Fuente, apresentou a investigação realizada para o. desenvolvimento de nanoemulsões biocompatíveis direcionadas para melhorar a área de diagnóstico e tratamento do cancro metastático “Ainda há muito caminho a percorrer” admitiu a investigadora espanhola, procurando incentivar os jovens estudantes presentes na plateia a optarem por uma carreira na investigação.

A iniciativa Nano World Cancer Day decorreu sob a égide da Plataforma Tecnológica Europeia para a Nanomedicina (ETPN-European Technology Platform on Nanomedicine) e contou com a adesão de 9 países dentro e fora da Europa, onde diferentes intervenientes ligados ao combate do cancro promovem em simultâneo atividades de disseminação e sensibilização. O evento vai já na sua quinta edição e realiza-se sempre dois dias antes do dia Mundial de Luta contra o Cancro que se assinala a 4 de fevereiro.

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